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Pomerode, um destino turístico que avança sem perder a essência

Foto: divulgação

Por Maicon Joner, empresário do setor de construção civil com atuação na região de Pomerode e Jaraguá do Sul.

Existe em Santa Catarina um destino turístico que cresce em ritmo acelerado. E não estou falando do litoral. Entre vales verdes e o casario preservado, Pomerode reúne um raro conjunto de atrativos em um território compacto. De carro, fica a pouco mais de uma hora das praias catarinenses. De Curitiba, são menos de 200 quilômetros. Uma macrorregião inteira, onde vivem 8,5 milhões de habitantes, está a menos de três horas de Pomerode por rodovia. É perto o suficiente para um bate-volta e encantador o bastante para convencer o visitante a ficar mais tempo. 

Em 2025, a cidade deverá superar a marca de 1 milhão de visitantes, estima a Secretaria de Turismo. É um número expressivo para um município que soma 35 mil moradores. Eventos como a Festa Pomerana, a Osterfest – que celebra as tradições de Páscoa trazidas pelos imigrantes alemães – e o Festival Gastronômico ajudam a explicar essa curva ascendente. Mas não são os únicos responsáveis.

O grande patrimônio de Pomerode é cultural. A influência dos colonizadores alemães segue viva nas ruas, no sotaque e na forma de viver. O casario enxaimel é um espetáculo à parte, e a Rota do Enxaimel, no bairro Testo Alto, foi reconhecida pela ONU como referência mundial de preservação dessa técnica construtiva fora da Europa. 

Some-se a isso uma gastronomia típica que ganha cada vez mais visibilidade (você provavelmente já ligou a TV e viu o Festival Gastronômico em rede nacional), festas tradicionais que celebram danças, músicas e trajes característicos, zoológico e parques temáticos abertos o ano inteiro e um convite permanente à vida ao ar livre. E, para quem gosta de compras, as lojas de fábrica completam o roteiro. 

E tem mais: no epicentro do Circuito de Cicloturismo do Vale Europeu, Pomerode integra um percurso de cerca de 300 quilômetros de estradas rurais que atravessam nove municípios. São de quatro a sete dias pedalando por cenários que parecem pintura. Um apelo e tanto para quem busca natureza sem aglomeração ou para quem gosta de se aventurar em provas de mountain bike, como o Desafio dos Rochas. 

Esse conjunto de atributos faz com que a cidade precise cuidar bem de seu futuro. O crescimento do turismo é uma conquista, mas também um compromisso. Para que a experiência siga autêntica e a vida local permaneça tranquila, três movimentos – já em andamento e, na minha opinião, fundamentais – orientam esse caminho.

1. Preservar a identidade

Pomerode não pode e não quer abrir mão de sua essência. A segurança, a calma nas ruas, o ritmo saudável da vida comunitária são valores inegociáveis. O turismo vem crescendo, mas lado a lado com uma indústria e um comércio sólidos. Manter esse equilíbrio é vital, e o próprio morador deve ser guardião dessa vocação. 

2. Fomentar permanências mais longas

Pesquisas apontam que o visitante tem motivos de sobra para ficar mais dias em Pomerode. São experiências, passeios familiares, rotas rurais, gastronomia e eventos o ano inteiro. Para acompanhar essa tendência, o setor de hospedagem vem se fortalecendo com novos empreendimentos e a modernização da rede existente. Receber bem significa oferecer conforto para viver o lugar sem pressa. 

3. Ampliar a infraestrutura de mobilidade

A convivência harmônica entre moradores e turistas inclui estrutura adequada. Pomerode está investindo em oferecer mais vagas para estacionamento, por exemplo, já que muitos passeios são feitos a pé e o carro fica na garagem. E como o cicloturismo cresce a cada temporada, quem chega de bicicleta precisa ter onde deixá-la com segurança. Simples, mas essencial. 

O que se vê é uma construção coletiva. Poder público, entidades empresariais, como a Associação Visite Pomerode (Avip), e a iniciativa privada vêm atuando lado a lado para planejar uma Pomerode preparada, acolhedora e fiel a si mesma. O turismo cresce, sim. Mas precisa crescer do jeito pomerodense, preservando a qualidade de vida, o respeito às raízes e a diversidade da matriz econômica. 

É assim que pequenos destinos se tornam grandes referências.

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