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A próxima fronteira da competitividade é humana

Foto: divulgação

Se 2025 nos ensinou algo, foi a velocidade da mudança no mundo dos negócios. 2026 mal começou e os principais players globais de futurismo, tecnologia, comportamento e trabalho já publicaram seus primeiros insights e mapas preliminares de tendências. E todos apontam na mesma direção: o diferencial competitivo migra das competências puramente técnicas (chacoalhados pela IA) para habilidades profundamente humanas.

Este é o momento de investir em treinamento e ferramentas, mas principalmente em  conhecimento. Profundidade, presença e pensamento crítico retornam ao core do diferencial estratégico e o que passa a ser núcleo de valor para profissionais, marcas e lideranças, não é o uso de IA (o que já é subentendido e inquestionável) e sim o nível de repertório para a melhor utilização das ferramentas. É a volta da valorização do que é autêntico, humano e pessoal.

Uma das provas está na ascensão dos motores de resposta GEO/AEO, baseados em IA, que inauguram uma nova fronteira para publishers e marcas. Nesse modelo, qualidade, robustez e credibilidade passam a definir quem realmente aparece e influencia nas respostas geradas por IA.

Pela primeira vez em anos, a autoridade editorial retorna como um ativo de valor econômico direto e orienta o que os modelos entendem, citam e recomendam. Conteúdos consistentes, análises completas e acervos bem estruturados tornam-se vetores estratégicos, abrindo novas receitas por licenciamento, reduzindo dependência de plataformas e elevando o papel dos publishers como mediadores do entendimento das marcas no ambiente de IA.

Em um ecossistema que inverte o jogo, penalizando superficialidade e recompensando robustez, a IA generativa deixa de ser um recurso para “produzir rápido” (e muitas vezes, raso) e passa a ser um elemento estruturante do marketing. À luz das análises globais e dos relatórios recentes da World Federation of Advertisers, GEO/AEO não é apenas uma oportunidade, é a reconfiguração de como conhecimento, influência e negócios serão distribuídos daqui em diante.

Para marcas, será muito menos sobre volume e barulho, muito mais sobre profundidade e humanização. Segue super em alta (e cada vez mais) os rebrandings evolutivos, concebidos para gerar intervenções sutis e com profundo impacto estratégico, orientados para sustentabilidade e longevidade do negócio. Além disso, a habilidade da visão sistêmica, holística e de enxergar conexões entre frentes que parecem desconexas, o chamado nexialismo, alavanca a vantagem competitiva. 

Governança no centro da estratégia

Todos esses movimentos exigem organizações redesenhadas com IA no centro, líderes fluentes na tecnologia, integração profunda entre dados, mídia e criatividade e uma nova lógica de medir impacto. Neste processo, integrar governança, ética, ODSs, inovação e regeneração aos modelos de negócio deixou de ser posicionamento ideológico e tornou-se critério de mercado, de acesso a capital e de crescimento sustentável. 

O mercado de capital já entendeu isso. Para vários fundos, o papel ativo dos negócios na transformação social e ambiental, entendidos em sua plenitude e integrados à governança, deixa de ser check-list e passa a ser filtro. Diversos VCs, fundos e aceleradoras agora exigem evidências concretas de que a gestão e a inovação também reduz riscos sistêmicos, fortalece a governança e gera impacto mensurável. 

Num cenário em que a humanização ocupa o papel central, empreender com consciência nunca foi tão necessário, com a governança ocupando seu lugar no centro da estratégia. Muito além de somente auxiliar na busca de capital para acelerar o negócio, ela é capaz de evitar rupturas graves e, em muitos casos, impedir uma empresa de quebrar.

Ao longo desta coluna, pretendo compartilhar reflexões sobre inovação, estratégia, governança e impacto, a partir da prática, da escuta de lideranças e da observação de organizações que estão redesenhando a forma como criam valor.

Santa Catarina já forma líderes nacionais e globais quando o assunto é antecipar tendências e implementar inovação. Nosso desafio não é acompanhar a velocidade do mundo, mas assumir o protagonismo de decidir que futuro queremos moldar e operar com os critérios que definirão quem seguirá relevante na próxima década.

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Fundadora e CEO da Tide Trends, estrategista de marcas, pesquisadora, consultora e conselheira consultiva certificada internacionalmente, autora de livros sobre comunicação e governança, é premiada por iniciativas em ESG e traz uma visão sistêmica alinhada ao futuro dos negócios.

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