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Agentic commerce: a nova arquitetura da influência digital

Foto: divulgação

Por Leandro Furlan, gerente de inovação da Adtail.

A chegada do navegador Atlas da Open IA marca um ponto de inflexão no ecossistema digital. O navegador não é apenas mais uma interface de acesso à internet, ele representa uma mudança estrutural na forma como as pessoas interagem com conteúdos, produtos e decisões de compra.

Com agentes autônomos assumindo tarefas antes executadas manualmente, o marketing entra em um território no qual a disputa pela atenção deixa de ser exclusivamente humana e passa a envolver sistemas que interpretam, filtram e selecionam opções com base em critérios de utilidade, contexto e precisão.

Essa transformação não se limita ao comportamento do usuário ela obriga marcas a repensarem presença, linguagem, arquitetura de informação e consistência de dados, porque o Atlas não navega, consulta, interpreta e recomenda como nós. Ele executa objetivos.

Nesse novo cenário, o Agentic Commerce (quando o consumidor realiza suas compras digitais por meio de IAs) começa a ganhar forma, e o Atlas atua como a base que permite que esses agentes funcionem na prática. Porém, este navegador não é o modelo completo — ele é a infraestrutura que torna possível que IAs naveguem, comparem, decidam e executem ações na web.

Essa mudança de infraestrutura altera também o foco do trabalho de marketing não basta mais influenciar o consumidor, agora é preciso ser compreendido e escolhido por algoritmos que filtram opções com critérios próprios. Como consequência, funis, SEO, performance e até branding passam por uma reinterpretação profunda, pois a jornada deixa de ser manual e passa a depender da precisão dos dados que as marcas disponibilizam.

As evidências de mercado já mostram a direção dessa transformação. A McKinsey, por exemplo, aponta que a automação da jornada pode elevar a eficiência de comunicação em até 40%, enquanto um relatório do Salesforce mostra que 52% dos consumidores já delegariam tarefas digitais a agentes inteligentes, reforçando o papel de ferramentas como o Atlas na mediação das decisões de compra.

Frente a isso marcas que querem se posicionar nesse ambiente precisam compreender que competitividade não virá apenas de campanhas criativas, mas da qualidade dos dados estruturados, da clareza semântica e da capacidade de fornecer informações acionáveis para sistemas que operam em alta velocidade. É nesse ponto que iniciativas de mercado começam a sinalizar caminhos.

Um dos movimentos mais relevantes é o Agentic Commerce Protocol, criado pela OpenAI e Stripe. Trata-se de um padrão aberto que permite que agentes de IA, compradores e comerciantes realizem transações de forma integrada, segura e direta — sem intermediários dominando o relacionamento com o cliente. A ferramenta funciona com diversos provedores de pagamento, preserva o controle do comerciante sobre pedidos e pós-venda, e já viabiliza experiências como o Instant Checkout no ChatGPT. Essa nova camada transacional reforça a tendência a web passa a ser navegada e operacionalizada por agentes que não apenas recomendam, mas executam.

Essa convergência entre navegação autônoma e transação automatizada exige mudanças e investimentos das empresas. Na minha organização, por exemplo, já estamos desenvolvendo soluções que conectam IA, conteúdo e performance. Dentro do time de SEO, o serviço de GEO prepara conteúdos e catálogos para serem interpretados tanto por buscadores quanto por agentes do Atlas, garantindo que marcas sejam encontradas e recomendadas dentro dessa lógica emergente.

Embora ainda inicial, essa convergência tecnológica deixa claro que a adoção do Atlas, a maturação dos agentes autônomos e a consolidação do Agentic Commerce sugerem um futuro no qual a navegação será menos manual e mais orientada por objetivos. A disputa não será apenas por tráfego, mas pela capacidade de ser reconhecido como a melhor resposta pelos agentes que mediam a experiência digital.

Para o marketing, o recado é direto quem se adaptar rápido pode ganhar relevância em um ambiente que ainda está sendo definido. Quem demorar pode se tornar invisível antes mesmo de perceber que o jogo mudou.

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