Linhas que atravessam gerações, dão vida a peças artesanais, oportunidades de negócio e momentos de bem-estar, hoje representam também a mudança de vida de muitos brasileiros.
A marca responsável por esses fios transformadores é a Círculo, uma das maiores indústrias têxteis do Brasil, que completa 88 anos neste mês de janeiro.
Nascida em Gaspar e reconhecida mundialmente, a empresa se consolidou como referência em produtos para artesanato, mantendo excelência em produção, oferta e atendimento.
Ao mesmo tempo, acompanha o ritmo das transformações tecnológicas, ampliando mercados e fortalecendo o setor têxtil.
Para detalhar essa trajetória quase centenária, o CEO Osni de Oliveira Junior revela marcos, desafios e estratégias para seguir relevante no cenário global.
A Círculo completa quase nove décadas e, ao mesmo tempo que mantém excelência em produção, oferta e atendimento, também se renova de acordo com o fluxo tecnológico atual. Qual é o segredo para manter entrega e valores aliados ao acelerado desenvolvimento atual?
Um dos nossos principais pilares é o contato direto e constante com o consumidor final. Colocamos o consumidor no centro de tudo o que fazemos, do desenvolvimento dos produtos aos serviços que oferecemos. Isso passa, principalmente, por ouvir artesãos de perto, nosso público central, entendendo o que eles buscam em termos de inovação em fios, acessórios, receitas e soluções para diferentes tipos de peças. Ao mesmo tempo, também ampliamos esse olhar para novos consumidores, buscando compreender o comportamento de quem está chegando agora ao artesanato. Essa escuta ativa é o que sustenta nossa inovação.
Na sua visão, quais foram os principais marcos que consolidaram a empresa como referência no setor têxtil e artesanal?
A inovação foi decisiva, especialmente quando deixamos de nos enxergar apenas como uma fábrica para nos posicionarmos como um negócio completo. Foi quando entendemos que a Círculo não era só uma fabricante de fios e linhas, mas uma empresa capaz de oferecer soluções para o artesanato como um todo. A partir daí, expandimos nosso mix de produtos, ampliamos os serviços e fortalecemos nossa atuação junto ao artesão. Hoje, quando falamos em Círculo, falamos de um ecossistema completo voltado ao fazer manualtêxtil.
Sabemos que a Círculo, que nasceu em Gaspar, já ganhou o mundo. Atualmente, exporta para quantos países? E quais são os principais desafios e oportunidades para ampliar essa presença internacional e fortalecer a marca lá fora?
Hoje, exportamos para aproximadamente 60 países. Nossa presença internacional se fortalece a partir de um centro de distribuição em Miami, nos Estados Unidos, e de uma rede de distribuidores que compartilham o DNA da nossa marca. Além disso, as flagships e pontos de venda estratégicos têm um papel importante na valorização da Círculo e na construção do reconhecimento da marca fora do Brasil.
Por falar em Gaspar, a cidade cresceu junto com a Círculo. Como a empresa contribui para o desenvolvimento econômico e social do município e da região?
A Círculo sempre teve uma relação muito próxima com Gaspar. Contribuímos diretamente para o desenvolvimento econômico da cidade por meio da geração de empregos e do fortalecimento do comércio no entorno da fábrica. Além disso, apoiamos projetos sociais, eventos locais e iniciativas educacionais, com ações que vão desde doações de produtos até a realização de workshops e parcerias com escolas. Esse vínculo com a comunidade faz parte da nossa história.
Quais os números de colaboradores, produtos e time de artesãos?
Atualmente, contamos com 1.452 colaboradores. Atuamos com cerca de 10 mil SKUs voltados ao mercado artesanal. E nosso Time de Artesãos é formado por 15 profissionais, sendo 14 no Brasil e uma artesã em Portugal.
Qual é o crescimento previsto para este ano? Quais estratégias estão sendo adotadas para alcançar esse resultado e manter a liderança no mercado nacional e internacional?
Temos crescido de forma consistente ano após ano. A previsão de crescimento de 2025 para 2026 está entre 7% e 10%. Para sustentar esse avanço, seguimos investindo na ampliação do mix de produtos, no fortalecimento dos serviços voltados ao artesanato e em um trabalho cada vez mais integrado entre marketing e pontos de venda, em parceria com lojistas, para potencializar a presença da marca Círculo no varejo.
Santa Catarina é líder nacional no setor têxtil. Como você avalia o cenário atual da indústria têxtil brasileira e quais são os principais desafios para manter essa posição de destaque?
Embora Santa Catarina seja um polo têxtil importante, o segmento em que atuamos é bastante específico e não se compara diretamente ao restante da indústria. O artesanato têxtil, muitas vezes, caminha na contramão dos ciclos econômicos tradicionais. Hoje, nosso maior desafio está na escassez de mão de obra. Temos demanda para crescer mais, mas a dificuldade na contratação de profissionais impacta diretamente nossa capacidade de expansão fabril.
O artesanato tem ganhado força como tendência e expressão cultural. Qual é a visão da Círculo sobre o futuro do fazer manual e como isso se conecta à estratégia da empresa?
Vemos o fazer manual se expandindo em diferentes direções que reforçam nosso crescimento. O artesanato segue forte como alternativa de empreendedorismo, mas também ganha espaço como prática ligada à saúde mental, ao relaxamento e à desconexão das telas. Além disso, o artesanato têxtil vem se consolidando como expressão artística, com artistas utilizando fios em grandes instalações e obras autorais, além de valorizar identidades culturais regionais presentes em todo o Brasil.