Em Santa Catarina, a liderança financeira das empresas apresenta um perfil em transformação, marcado por executivos mais jovens, crescente atuação em setores como tecnologia e têxtil, e um caminho ainda longo em termos de diversidade.
O recorte estadual do estudo CFO Trends 2026, conduzido pelo Evermonte Institute, aponta que 87% dos CFOs em atuação no estado são homens e apenas 13% são mulheres, revelando um cenário com baixa representatividade feminina em cargos de diretoria financeira.
A faixa etária predominante indica uma renovação geracional: 60,8% dos CFOs têm até 45 anos, sendo 30,4% entre 35 e 40 anos e outros 30,4% entre 41 e 45 anos. Ainda aparecem 17,4% entre 46 e 50 anos e 21,7% entre 51 e 55 anos, revelando uma presença significativa de profissionais que, embora significativamente jovens em comparação à realidade nacional, possuem uma trajetória consolidada em finanças.
Quanto ao tamanho das equipes lideradas, 60,9% dos CFOs estão à frente de times com mais de 20 pessoas, evidenciando estruturas financeiras robustas. Outros 21,7% lideram equipes entre 11 e 20 pessoas, e 17,4% estão à frente de 6 a 10 colaboradores.
Em relação à perspectiva de contratação até 2026, 56,5% dos executivos apontam manutenção dos times atuais, enquanto 21,7% esperam aumentar as equipes e 13% planejam substituições. Apenas 8,7% sinalizam uma possível redução, sugerindo um ambiente de estabilidade, com viés de crescimento gradual.
Para Artur de Castro, Managing Partner da Evermonte Executive Board & Search e economista de formação, os dados reforçam tanto os avanços quanto os pontos de atenção da liderança financeira no estado:
“O CFO em Santa Catarina está cada vez mais próximo da inovação e da indústria 4.0. Mas para que essa evolução seja sustentável, será necessário ampliar a diversidade e acelerar o desenvolvimento de competências digitais e analíticas. O cenário é promissor, mas exige um movimento proativo das organizações e dos próprios líderes”.
CFO do futuro
Com 242 executivos participantes, é o maior estudo recente já realizado sobre liderança financeira no Brasil. Conduzido entre 2 e 29 de setembro de 2025, o levantamento mapeou as competências, desafios e tendências que irão moldar a atuação do CFO em 2026.
No topo da lista de competências mais valorizadas está o direcionamento estratégico e a alocação de capital (77,7%), seguido por business partnering e influência no negócio (59,9%), e pelo uso de inteligência artificial e automação nas finanças (55%). Também se destacam: planejamento financeiro e performance (FP&A – 52,5%), gestão de pessoas (50,8%), governança de riscos (42,6%), análise de dados (25,6%) e relações com investidores (19%).
O estudo também chama atenção para a escassez de profissionais em áreas técnicas consideradas estratégicas. Entre as habilidades mais difíceis de encontrar no mercado estão IA e machine learning aplicados às finanças (52,1%), analytics (47,1%) e modelagem/cenários (44,2%).
Essas defasagens se somam a barreiras internas como cultura corporativa resistente a mudanças, sobrecarga operacional e sistemas pouco integrados – fatores que ainda limitam o avanço da transformação digital na área financeira.
Para o sócio e headhunter da Evermonte, os dados confirmam o movimento de reposicionamento do CFO:
“O CFO de 2026 precisa pensar fora da caixa. Sair de trás da mesa e fazer aliados. O desafio agora, portanto, é alinhar competência técnica, fluência digital e capacidade de liderança para conseguir bons resultados tanto no curto, quanto no longo prazo. Se a premissa básica dos negócios é que o mercado está em constante transformação, da mesma forma o CFO deve manter-se em constante atualização”.