O consórcio nasce em 1962, por iniciativa de funcionários do Banco do Brasil, em Brasília, que tinham um objetivo bastante claro: comprar um Fusca, o grande sonho de consumo da época.
A ideia era simples e engenhosa, um modelo de compra coletiva por autofinanciamento, no qual a união dos esforços individuais permitia a aquisição de alguns veículos por mês, em vez de um.
Mais de 60 anos depois, o consórcio consolidou-se como uma das principais ferramentas de autofinanciamento do mercado brasileiro.
Hoje, apresenta-se como uma alternativa sólida aos financiamentos bancários tradicionais, com uma diferença crucial: não há cobrança de juros, apenas a taxa de administração, destinada a remunerar as administradoras responsáveis por estruturar, gerir e operar os grupos.
Uma ideia criativa que passou a ser vista como uma verdadeira ferramenta de engenharia financeira.
Uma breve linha do tempo do consórcio no Brasil
- 1962 – Fundação da primeira associação de consórcio por funcionários do Banco do Brasil.
- 1967 – O crescimento acelerado do setor leva à criação da ABAC (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios), com o objetivo de organizar e representar o mercado.
- 1971 – O governo federal passa a regulamentar a atividade por meio da Lei nº 5.768, garantindo maior segurança jurídica aos participantes.
- 1991 – O Banco Central do Brasil assume a fiscalização e o controle das administradoras, elevando o consórcio ao status de sistema financeiro estruturado.
- 2008 – É sancionada a Lei nº 11.795, atual marco regulatório do setor, que define direitos e deveres e amplia o uso do consórcio para diversos segmentos além dos veículos.
Consórcios no Brasil
Se a busca por alternativas de crédito já vinha crescendo entre os brasileiros na última década, 2025 foi um ano histórico para o sistema de consórcios. Em um ambiente econômico marcado por juros elevados e crédito tradicional caro, o consórcio deixou de ser apenas uma opção e passou a ocupar o centro da estratégia financeira de milhões de pessoas.
Mais do que uma alternativa ao financiamento, o consórcio firmou-se como um instrumento de planejamento, educação financeira e até de construção patrimonial.
Os dados consolidados mostram a dimensão desse movimento:
- Mais de 12 milhões de pessoas ativas em consórcios ao longo do ano, com picos superiores a 12,2 milhões em setembro.
- Em novembro, o número de consorciados ativos chegou a 12,74 milhões, crescimento de 13,5% em relação a 2024.
- No total, foram comercializadas cerca de 4,78 milhões de cotas, um recorde histórico.
Ao final de 2025, o setor alcançou um marco inédito: mais de R$ 500 bilhões em negócios realizados em um único ano (estimativa). O volume de vendas de novas cotas atingiu 5,16 milhões, um avanço de 15% sobre o ano anterior, superando com folga as projeções iniciais.
Hoje, o país conta com 12,76 milhões de consorciados ativos — o equivalente a quase toda a população da cidade de São Paulo investindo mensalmente em um bem futuro.
Visão geral do mercado

Ao exigir disciplina, visão de longo prazo e planejamento, o consórcio passou a carregar um selo informal de educação financeira.
Diferentemente do crédito tradicional — que antecipa o consumo e posterga o impacto financeiro — o consórcio estimula organização, previsibilidade e decisões conscientes.
O resultado é um setor que vai além das estatísticas e se consolida como protagonista nas estratégias financeiras de milhões de brasileiros.
Seja para conquistar a casa própria, trocar de veículo ou planejar grandes projetos, o consórcio foi, sem dúvida, um dos grandes destaques da economia brasileira em 2025.
O que esperar de 2026?
Com a inadimplência sob controle — encerrando 2025 em patamares saudáveis, próximos de 2,3% — e uma carteira ativa de cotas superior a R$ 650 bilhões, somando todos os segmentos, o setor inicia 2026 com fôlego renovado.
Se você ainda não tem uma cota, os números indicam que, muito provavelmente, um de seus vizinhos já tem.