Blumenau, no Vale do Itajaí, é hoje o terceiro maior ecossistema de startups de Santa Catarina, com 166 empresas mapeadas pelo Sebrae Startups em 2025. É de Blumenau que vem a FastBuilt, considerada a construtech mais promissora do país segundo o ranking 100 Startups to Watch 2025: graduada pela incubadora Gene, integrante da Rede MIDIHUB, iniciativa da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) em parceria com o Sebrae/SC, a startup tem atuação em 18 estados e soluções adotadas por mais de 300 construtoras, impulsionando a transformação da experiência pós-obra no Brasil.
Conversamos com Jean Ferrari, CEO da FastBuilt, sobre a trajetória da empresa, o papel da incubação e os planos de crescimento.
Como surgiu a startup e qual problema ela resolve?
Foi a partir de um convite num grupo de futebol para conhecer e participar do Startup Summit em 2018. Não conhecia e não fazia ideia do que significava ser uma startup. Participar do evento foi incrível e uma virada de chave. Vi que estava numa caverna e que existia um mundo de oportunidades no mundo das startups. Voltei a Blumenau e vendi minha participação numa empresa de engenharia que havia fundado há 14 anos. Fui estudar o mercado e startups que existiam na área de construção. Identifiquei uma dor na área de manual do proprietário, e o tempo que as construtoras demoravam para desenvolver e entregar os manuais ainda de forma analógica, entregando tudo em papel. Nasceu então em outubro de 2018 a FastBuilt, para revolucionar a entrega dos manuais do proprietário através de QR Codes, em que o morador tem tudo fácil na palma da mão — projetos organizados, fotos de onde passam as tubulações, marcas e modelos dos materiais utilizados, enfim, um dossiê completo de tudo que foi construído e utilizado no imóvel. A partir dali foram sendo criadas novas funcionalidades, pensando em toda a jornada do cliente dentro da construtora, passando por acompanhamento da obra, vistoria e entrega do imóvel, manual digital e soluções de pós-obra, como assistência técnica e manutenção preventiva.
Qual foi o impacto da incubação na evolução do negócio?
Iniciamos em novembro de 2018 a incubação no Instituto Gene, passando em 2021 pelo programa do Sebrae, o Startup SC, e posteriormente, numa parceria da Blusoft com a ACATE, tivemos a oportunidade de passar pelo programa de incubação no MIDITEC, onde aprimoramos nossos conhecimentos por meio de mentorias e workshops que ajudaram no crescimento e desenvolvimento da empresa.
Em que momento a empresa está hoje e quais são os próximos passos?
Hoje estamos atuando em 18 estados do Brasil e no Distrito Federal, já presentes em mais de 2.100 empreendimentos com as soluções da FastBuilt, impactando mais de 200 mil lares. Estamos em uma fase de expansão, dobrando de tamanho ano após ano. Para 2026, a meta é triplicar a operação e atingir R$ 1 milhão de MRR, o que nos levará a um novo patamar e abrirá possibilidades de investimento com fundos de grande porte. Atualmente, somos líderes e referência em soluções de pós-obra e experiência do cliente no Brasil, e já estudamos projetos de internacionalização, especialmente para o mercado norte-americano. Em 2025, participamos do programa ACATE Global Gateway, que nos permitiu conhecer o ecossistema canadense e identificar novas oportunidades de negócios no exterior.
Como você enxerga o futuro da tecnologia e da inovação em Santa Catarina?
Enxergo Santa Catarina consolidando-se não apenas como um polo de talentos, mas como o principal hub de governança e escala para startups no Brasil. O estado superou a fase de apenas fomentar ideias e entrou em um ciclo de maturação onde programas como o MIDITEC e o Sebrae atuam como verdadeiras aceleradoras de resultados reais. O futuro aponta para uma integração cada vez maior entre os setores tradicionais, como a construção civil — no nosso caso —, e a tecnologia disruptiva. Vejo SC como um exportador de soluções globais, onde a força do associativismo cria uma rede de segurança que permite ao empreendedor ousar mais. Para os próximos anos, acredito que o estado será referência em Vertical SaaS (soluções especializadas por nichos), aproveitando nossa forte base industrial e empresarial para criar tecnologias que resolvem dores profundas do mercado, exatamente como buscamos fazer na FastBuilt. O DNA catarinense de colaboração continuará sendo nosso maior diferencial competitivo frente a outros ecossistemas.
Rede MIDIHUB abre inscrições para startups de base tecnológica em SC
A Rede MIDIHUB, maior rede de incubadoras do Brasil, está com inscrições abertas para startups de base tecnológica interessadas em ingressar em seu programa de incubação. O período de candidatura vai até 8 de março e oferece vagas em 12 incubadoras espalhadas por Santa Catarina. Inscrições no site.