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Quando a promoção vira problema: os custos de decisões mal planejadas

Foto: divulgação

Por Felipe Ribeiro, sócio e co-fundador da Evermonte Executive & Board Search.

É comum vermos pessoas excepcionais em suas funções técnicas se tornarem, da noite para o dia, líderes com baixa efetividade. O que parece uma oportunidade de crescimento acaba se revelando uma armadilha tanto para o profissional quanto para a organização. Por quê? Porque promover sem critérios estruturados é um erro que cobra juros altos ao longo dos anos.

E engana-se quem pensa que esse erro está apenas na decisão isolada. Na verdade, trata-se de um problema sistêmico, que se manifesta quando critérios frágeis – como tempo de casa, afinidade pessoal ou alta performance técnica – são priorizados em detrimento da análise real da capacidade de liderança.

Quando a promoção é mal feita, seus efeitos aparecem em quatro pontos críticos da empresa:

1. Queda de performance do time

Lideranças despreparadas tendem a trazer confusão, excesso de controle e baixa clareza sobre prioridades. Isso leva a retrabalho, desalinhamento e perda de eficiência. Equipes antes engajadas se tornam apáticas ou desorganizadas. A produtividade, naturalmente, sofre.

2. Perda de profissionais

Profissionais de alto desempenho dificilmente abandonam uma organização sem motivo consistente. Mas uma liderança disfuncional ou que não consegue inspirar  motivar seus liderados é motivo mais do que suficiente para provocar desligamentos voluntários. E isso representa um prejuízo duplo: perde-se quem entrega bem e ainda se gasta com reposição e treinamento.

3. Enfraquecimento da cultura organizacional

Toda vez que uma promoção contradiz os valores declarados da empresa, o discurso institucional perde força. A cultura passa a ser percebida como incoerente, o que gera desconfiança e desengajamento interno. O impacto disso não é imediato, mas profundo e cumulativo.

4. Sobrecarga do RH

Quando uma promoção não dá certo, o RH é acionado para apagar o incêndio: montar planos de desenvolvimento corretivos, intermediar conflitos, refazer acordos. O que poderia ser um processo de crescimento saudável se torna uma constante tentativa de remediação. Isso desvia tempo, energia e foco da área.

Técnica não é liderança

O maior erro das promoções mal feitas está na confusão entre entrega individual e potencial de liderança. Nem todo bom executor será um bom gestor – e tudo bem. São perfis, interesses e competências diferentes.

Liderança exige visão sistêmica, habilidade de desenvolver pessoas, clareza na comunicação, gestão de conflitos e uma postura estratégica diante de contextos incertos. É muito mais sobre influenciar e mobilizar do que sobre executar tarefas com excelência técnica.

Portanto, quando a organização promove alguém com base apenas no desempenho anterior, está ignorando os vetores que realmente definem a efetividade futura daquele novo líder. E isso tende a gerar um desalinhamento difícil de corrigir depois.

A promoção como decisão estratégica

Para reduzir esse risco, é fundamental tratar promoções como uma decisão baseada em múltiplos fatores – como evidências comportamentais, histórico de colaboração, avaliações de liderança e até simulações ou testes de cenários.

Esse processo pode – e deve – ser construído com o apoio de frameworks técnicos, ferramentas de avaliação e participação ativa da liderança sênior.

No fim, a pergunta-chave para qualquer decisão de promoção deveria ser: “Essa pessoa tem condições reais de sustentar um time, inspirar pessoas e manter a cultura viva – mesmo sob pressão?”

Se a resposta não for clara, talvez seja melhor adiar a promoção do que arcar com o custo de consertar um erro que, inevitavelmente, deixará cicatrizes.

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Referência em recrutamento executivo na Região Sul do Brasil, a Evermonte tem como propósito garantir a evolução da governança corporativa por meio do recrutamento de lideranças estratégicas. Com escritórios em Porto Alegre, São Paulo, Curitiba, Florianópolis e Joinville, o grupo conta com uma equipe de headhunters especialistas, com vasta experiência nas áreas para as quais recrutam. Seus processos seletivos são conduzidos a partir de uma metodologia própria, que inclui a utilização de ferramentas de Inteligência Artificial, people analytics e avaliação cognitiva para garantir os melhores resultados aos seus parceiros.

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