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SC vive boom de pequenos negócios: desafio é sair do genérico e virar marca

Foto: divulgação.

Santa Catarina registrou a abertura de 151.760 pequenos negócios no 1º semestre de 2025, número que representou 97% do total de empresas abertas no período no estado, segundo dados do DataSebrae/Sebrae SC.

O crescimento do empreendedorismo amplia oportunidades, mas também escancara um desafio central para quem disputa atenção e preferência do público: comunicação genérica custa caro e reduz a capacidade de um negócio ser entendido, lembrado e escolhido.

Ao mesmo tempo em que a competição cresce na rua e no digital, o consumidor passa mais tempo dentro das plataformas.

No fim de 2025, o Brasil tinha cerca de 142 milhões de identidades (18+) usando redes sociais, e o Instagram alcançava 82,8% da audiência “elegível”, de acordo com o relatório DataReportal.

Nesse ambiente, presença não é garantia de demanda: o que separa negócios comparáveis de marcas preferidas é a clareza do posicionamento.

“Posicionamento é o que faz alguém te entender rápido e te escolher sem precisar de um PowerPoint. Quando a mensagem fica ampla demais, a marca vira mais uma. E aí o esforço para convencer cresce, enquanto a preferência não se forma”, afirma Lucca Koch, especialista em direção de comunicação, posicionamento e reputação.

Boom de CNPJ, concorrência real e o custo do “genérico”

O estado também fechou 2025 com saldo positivo de 59.184 novos empregos formais, segundo o Novo Caged (MTE), movimento que reforça o dinamismo econômico e o aumento da oferta de produtos e serviços.

No Brasil, os pequenos negócios respondem por cerca de 27% do PIB, de acordo com o Sebrae, o que torna a discussão sobre diferenciação e sustentabilidade ainda mais relevante.

Um dos riscos de operar sem clareza é ficar refém de decisões de curto prazo, promoções e mudanças constantes na comunicação.

Na outra ponta, estudos do Sebrae/SC apontam que, entre 2020 e 2024, quase 4 em cada 10 pequenos negócios não superam os primeiros anos; entre os fatores observados, aparece a ausência de diferenciação, o que, na prática, passa por mensagem, proposta de valor e consistência.

“Quando o mercado enche, a comunicação genérica vira um imposto silencioso: você trabalha mais pra convencer do óbvio. A estética pode até chamar, mas é a mensagem que sustenta a conversa, e conversa é o que vira pedido, orçamento e indicação”.

Em cidades com forte ritmo de abertura, o desafio de se destacar se intensifica.

Em Blumenau, por exemplo, foram 5.903 empresas abertas entre janeiro e junho de 2024, um crescimento de 21% em relação ao mesmo período de 2023. O volume inclui 4.395 MEIs, segundo dados divulgados pelo Sebrae. Com mais atores competindo no mesmo território, ser “mais um” vira risco operacional.

De acordo com o especialista, alguns padrões se repetem em negócios que atraem atenção, mas não consolidam preferência:

  • “Eu faço de tudo”: o público não entende rápido para quem é, nem por que escolher;
  • Promessas amplas demais: não criam comparação favorável; criam dúvida;
  • Mensagem frouxa com presença “ok”: o visual chama, mas não sustenta relacionamento nem confiança.

Já um posicionamento claro destrava:

  • Preço e valor percebido: menos guerra de preço, mais escolha por sentido;
  • Demanda qualificada: menos curiosos, mais gente certa;
  • Reputação: consistência vira confiança; confiança vira convites, parcerias e indicação.

“Marca pequena não perde pra marca grande por falta de qualidade. Muitas vezes perde porque não ficou legível. No digital, todo mundo aparece. A pergunta é quem fica”, finaliza.

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