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Sobre o que se perde no caminho

Foto: divulgação

Nem sempre é o destino que muda a gente.

Às vezes é o caminho, com suas pausas, imprevistos e demoras.

A gente parte achando que vai encontrar alguma coisa, mas o que acontece é que, sem perceber, vai deixando partes pelo trajeto. Um pedaço de pressa na esquina de uma cidade nova. Um pouco de controle dentro da mala que ficou pesada demais. Um tanto de medo em cada aeroporto.

Perder, aos poucos, é o que torna possível seguir.

Porque o que se perde quase nunca é falta.

Quase sempre é espaço.

Depois de algumas horas olhando o nada pela janela, o barulho do mundo parece distante. O que antes pesava já não tem tanta importância. As coisas que ocupavam o pensamento perdem o tamanho. E o que sobra é um tipo de calma que não se compra, só se alcança quando o tempo desacelera por dentro.

Viajar é um jeito bonito de se desfazer das certezas.

De aceitar que nem todo plano precisa dar certo, nem toda história precisa ter volta, nem todo lugar é pra ficar.

O caminho ensina a arte de continuar mesmo sem saber pra onde.

E quando a gente volta, já não é o mesmo corpo que parte.

Os olhos mudam, o jeito de respirar muda, o que se busca também.

No fim, o que permanece é leve.

Um cheiro de mar guardado na memória. Um sorriso que aconteceu por acaso. Uma sensação de que o mundo é muito maior que o que a gente tenta controlar.

Talvez crescer seja isso: aprender a perder um pouco em cada travessia, pra caber inteiro no próximo recomeço.

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Head de marketing multicanal, professora e mentora de startups.

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