A clássica frase “pessoas se conectam com pessoas” passa a fazer ainda mais sentido à medida que a tecnologia avança. Vivemos um momento em que a Inteligência Artificial produz textos, imagens, vídeos e apresentações em questão de segundos. A informação circula com velocidade inédita e a produção de conteúdo se tornou acessível para praticamente qualquer empresa.
Nesse cenário de abundância e de possibilidades, o que começa a se destacar e diferenciar a marca é saber se comunicar com ousadia e personalidade.
O maior atributo para relacionamento e memória continua sendo a emoção, uma qualidade 100% humana e que, pelo menos até agora, não é automatizada. Emoção é humana e ponto final. É ela que ancora decisões, que constrói lembranças e que sustenta o posicionamento de diversas marcas ao longo do tempo.
As emoções, por sua vez, são organizadas através de pensamentos, histórias e interpretações e é por isso que o storytelling deixa de ser um recurso criativo e passa a ser ativo estratégico para quem souber usar.
Não existe “era da IA”, eras são períodos que se encerra. O que posso afirmar com bastante segurança é que o uso da inteligência artificial, a partir de agora, vai avançar de forma desproporcional e vai tornar obsoleto quem ainda nega a sua existência.
Veja bem o que estou querendo dizer. Empresas podem, sim, utilizar inteligência artificial para acelerar processos, otimizar comunicação e escalar presença digital, o que representa avanço e maturidade. O ponto central está em compreender que a ferramenta não substitui a visão do empreendedor e nem a história por trás de toda a sua transformação para chegar até ali.
Ela potencializa quem sabe para onde quer ir.
Quando Steve Jobs fez o famoso lançamento do iPhone em 2007 ele não apresentava apenas uma (ou “três”) novas tecnologias, ele usou da emoção, curiosidade e construção de expectativa. Seus lançamentos eram organizados como histórias que conectam com a plateia, estruturando a informação não apenas para ser transmitida, mas principalmente para gerar conexão.
Quanto mais tecnológica se torna a sociedade, mais valioso se torna o que é essencialmente… humano!
Marcas que sabem se posicionar entendem que não basta dizer quem são, é também preciso demonstrar o que representam e com quem desejam conversar.
A Inteligência Artificial democratizou a produção, mas ainda é o storytelling que gera percepção de valor, direciona a atenção, constrói memória na mente dos clientes.
Estamos em um momento em que, ao abrir as redes sociais, percebemos que muitas marcas falam bem, escrevem bem e parecem bem estruturadas. As ferramentas de IA já garantem boa parte da qualidade técnica mas o problema mora na falta de “almanizar” a marca, conceito criado pela Paola Brescianini, que traz justamente a necessidade de inserir alma, identidade e intenção na comunicação.
Quando todo mundo consegue produzir conteúdos em segundos, o que passa a diferenciar é quem tem história para sustentar o que diz (ou até o que a resposta do chat GPT diz)
Por isso o storytelling se consolida como ativo estratégico, ele não é caminho oposto e nem concorre com um agente de escrita de IA, ele orienta o uso dela.
Porque, no fim, marcas são lembradas não apenas pelo que entregam, mas pela história que constroem ao redor do que entregam.