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Sobre quando o futuro encolhe

Foto: divulgação

Tem dias em que pensar no ano que vem parece ousado demais.

A gente sempre acreditou que planejar era uma forma de cuidado. Organizar a agenda, desenhar metas, imaginar cenários. Como se o amanhã fosse um território acessível, bastasse traçar o caminho.

Mas ultimamente o futuro anda curto. Não é falta de ambição. É excesso de ruído. Crises empilhadas, notícias que se atropelam, mudanças rápidas demais. O mundo pede reação imediata o tempo todo. E reagir consome a energia que antes era usada para sonhar.

Percebi que não é só cansaço. É uma espécie de neblina. Quando o amanhã fica impreciso, a coragem de começar projetos longos diminui. A criatividade vacila. A produtividade vira cobrança.

A esperança sempre foi um motor discreto. A ideia de que algo melhor podia existir sustentava o esforço de hoje. Quando essa imagem enfraquece, o presente pesa.

Talvez por isso tanta gente esteja voltando para o que cabe nas mãos. Pequenos planos. Comunidades menores. Conversas mais próximas. Uma micro utopia doméstica, onde ainda é possível escolher.

Não é desistir do futuro. É reduzi-lo ao tamanho que a gente consegue cuidar agora. Talvez imaginar um mundo perfeito em dez anos esteja distante demais. Mas imaginar um gesto possível para a próxima semana ainda é viável. E às vezes é assim que o amanhã reaparece. Discreto. Sem anúncio.

O futuro não precisa ser grandioso para existir. Às vezes ele começa pequeno. E isso já é suficiente.

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Head of Revenue na SalesHunter, professora e mentora de startups.

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