Muito se fala na necessidade de melhorar a distribuição de renda no Brasil. E com razão. A desigualdade talvez seja a nossa mais profunda e resistente ferida socioeconômica.
Não por acaso, o tema aparece em praticamente todos os projetos apresentados ao país: planos de governo, plataformas partidárias, discursos e promessas de campanha. Em ano eleitoral, então, esse assunto ganha ainda mais volume. O problema é que, na maioria das vezes, tudo isso fica no papel.
Enquanto seguimos debatendo fórmulas e teorias, algo concreto vem acontecendo longe dos palanques e dos holofotes. Nos meses de março e abril, vivemos no Brasil o que chamo de uma revolução silenciosa na distribuição de renda. Uma revolução que não nasce de discursos, mas de decisões práticas. E as protagonistas são as cooperativas de crédito.
É nesse período que as cooperativas realizam suas assembleias e anunciam as sobras que retornarão aos cooperados. Estamos falando de mais de 21 milhões de pessoas no ramo crédito em todo o país. Gente comum, espalhada por cidades grandes, médias e pequenas, recebendo de volta parte do resultado que ajudou a construir.
Só para dar um exemplo concreto, o Sistema Unicred, do qual faço parte, distribuirá R$ 422,5 milhões referentes ao resultado de 2025 aos cooperados em todo o país. É quase meio bilhão de reais. As assembleias das cooperativas singulares ainda definirão a destinação desses recursos, mas já é possível antecipar: a maior parte voltará diretamente para as contas dos próprios associados.
Não é pouca coisa. É dinheiro distribuído com enorme capilaridade e de forma proporcional ao uso que cada cooperado faz da sua cooperativa. Quem participa mais, tem mais retorno. Trata-se de uma distribuição justa, associada ao esforço e à relação de cada um com o negócio coletivo.
Enquanto se discute, em tese, como construir um país menos desigual e mais equilibrado, o cooperativismo faz isso na prática. Não há reinvenção da roda aqui. Há, simplesmente, o cumprimento de princípios formulados há quase 200 anos e que seguem absolutamente atuais.
Talvez as soluções estejam mais próximas do que imaginamos. E talvez seja hora de olhar menos para a espetacularização do debate e mais para quem já está entregando resultados reais.