A gaúcha Mova Protocol acaba de captar US$ 2 milhões em nova rodada de investimento, elevando para US$ 5 milhões o total aportado desde sua fundação.
O movimento marca o início de uma fase de expansão nacional focada na abertura de eletropostos próprios e na consolidação de sua infraestrutura de dados de mobilidade baseada em telemetria contínua e registro em blockchain.
Com valuation previamente estabelecido em R$ 180 milhões na rodada seed anterior (US$ 3 milhões), a empresa agora direciona capital para crescimento físico e operacional, combinando ativos tangíveis, como pontos de recarga, com uma camada proprietária de inteligência de dados aplicada à mobilidade elétrica.
Inicialmente, a companhia inaugura dois polos regionais em Florianópolis, que funcionarão dentro da rede da We Charge. Até abril, a expectativa é ativar entre 10 e 20 eletropostos nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Até o final do ano, a meta é alcançar 50 pontos de recarga. Segundo o CEO da Mova, Augusto Bihre Letsch, o novo aporte consolida a transição da fase de validação tecnológica para execução em escala nacional:
“Esse investimento nos permite acelerar a expansão da rede de eletropostos ao mesmo tempo em que fortalecemos nossa infraestrutura de dados. Não estamos construindo apenas pontos de recarga, mas uma camada estruturante de informação auditável sobre mobilidade elétrica no Brasil. Nosso objetivo é integrar infraestrutura física e inteligência operacional em um único ecossistema escalável”.
O crescimento da operação foi impulsionado por um investimento seed com participação dos empreendedores e investidores em ativos digitais Gilberto Inacio Cardoso Neto e Ana Laura Cardoso Ferreira. Ambos passaram a atuar como sócios-investidores estratégicos, contribuindo para a consolidação da tese de tokenização ambiental e estruturação de ativos digitais da companhia.
A plataforma opera por meio de um aplicativo gratuito que transforma o uso cotidiano do veículo em dados estruturados e verificáveis. Após realizar o cadastro e vincular o veículo, o usuário autoriza a captação de informações por meio do próprio smartphone.
A tecnologia registra quilometragem, tempo de uso, padrões de condução e recorrência de deslocamento, além de futuramente integrar dados de recarga quando o motorista utilizar eletropostos conectados à rede da empresa.
Essas informações passam por um sistema próprio de validação antifraude e qualificação progressiva, que cruza consistência de deslocamento, comportamento e parâmetros técnicos antes de registrar os dados em blockchain. A arquitetura foi desenvolvida sob o conceito de privacidade por design, reduzindo riscos regulatórios e mantendo a camada blockchain invisível para o usuário final.
Em contrapartida, o motorista acumula benefícios dentro do ecossistema da plataforma, com acesso a serviços e produtos do marketplace automotivo integrado. No médio prazo, a companhia pretende ampliar a interoperabilidade desses ativos digitais, conectando a geração de dados a novas frentes de monetização ambiental com créditos de carbono.
Atualmente, a base soma 29.860 usuários cadastrados, sendo 15.860 ativos, com taxa de ativação superior a 53%. Já foram validados 147.050 trajetos, totalizando 3.335.400 quilômetros monitorados e 179.200 horas de telemetria coletadas. A empresa projeta atingir 1 milhão de usuários ainda neste ano, consolidando uma base proprietária de dados de mobilidade urbana.
Para o diretor de produtos, Antônio Farias, que atua no mercado de blockchain desde 2018, o diferencial competitivo está na origem e na validação do dado:
“A Mova parte do dado real, não do ativo financeiro. Desenvolvemos um sistema de qualificação contínua, validação comportamental e registro on-chain que reduz risco regulatório e evita greenwashing. Empresas estão migrando de métricas estimadas para métricas baseadas em evidências. É nesse ponto que nossa infraestrutura ganha relevância”.
Segundo o executivo, a estratégia da companhia vai além da operação privada:
“Estamos construindo uma infraestrutura digital integrada à operação física de eletromobilidade para preencher a lacuna de dados confiáveis no Brasil. Empresas precisam comprovar emissões reais de frotas, eficiência operacional e métricas ambientais auditáveis. Ao mesmo tempo, governos precisam de dados estruturados para planejar mobilidade urbana e políticas de descarbonização. Já iniciamos tratativas no âmbito federal para que nossa tecnologia possa apoiar programas públicos de mobilidade sustentável e construção de inventários ambientais com base em dados reais”.
No médio e longo prazo, a empresa planeja emitir relatórios ambientais auditáveis e estruturar créditos de carbono baseados em dados reais de mobilidade tokenizada, integrando a geração de dados da ponta da operação à criação de ativos ambientais digitais.
Hoje estruturada com 20 colaboradores, a companhia opera com equipe multidisciplinar que combina engenharia, gestão ágil, performance e relacionamento com usuários.
A meta é atingir receita anual entre R$ 21 milhões e R$ 24 milhões em estágio inicial, com projeção de até R$ 270 milhões em 5 anos, à medida que as verticais B2B e ambientais ganhem escala.