A Concreta Assessoria e Consultoria em Licitações nasceu a partir da experiência acadêmica e profissional de seu fundador, que identificou dificuldades recorrentes de empresas em participar e escalar sua atuação em processos licitatórios.
A partir dessa percepção, a empresa estruturou um modelo de negócio voltado a apoiar organizações na área de licitações públicas e, mais recentemente, passou por ajustes estratégicos com foco em escala, incluindo a adoção do modelo de franquias e o desenvolvimento de tecnologia própria.
A empresa foi incubada na GTEC, incubadora de Rio do Sul que integra a rede MIDIHUB, iniciativa da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) em parceria com o Sebrae/SC.
Nesta entrevista, Lucas Medeiros, CEO da Concreta, fala sobre a origem da empresa, o impacto da incubação que iniciou em 2019 até 2024, o momento atual do negócio e sua visão sobre o papel da inovação na economia de Santa Catarina.
Como surgiu a startup e qual problema ela resolve?
A Concreta surgiu a partir de um projeto acadêmico. Na época, eu cursava Economia e desenvolvia projetos empresariais em sala de aula. Paralelamente, trabalhava como vendedor em uma empresa de software para licitações, o que me permitiu ter contato direto com o mercado. Nesse contexto, percebi que muitas empresas — na verdade, a maioria — não conseguiam escalar sua participação em licitações por falta de conhecimento. A tecnologia, sozinha, não resolvia o problema, porque muitos empresários não sabiam nem por onde começar. A empresa nasceu justamente para preencher essa lacuna, apoiando organizações no entendimento e na estruturação de sua atuação em licitações públicas.
Qual foi o impacto da incubação na evolução do negócio?
A incubação foi fundamental por nos inserir de forma efetiva no ecossistema de inovação. Durante esse período, tive acesso a uma troca de experiências muito rica, tanto com outros empreendedores quanto com mentores. O próprio projeto da incubadora trouxe diversas validações importantes. Ao longo do processo, percebi que algumas decisões estavam equivocadas, principalmente na parte de liderança. Esse aprendizado culminou, ao final do projeto, em uma mudança relevante no modelo de escala da empresa, que passou a adotar o formato de franquias. Hoje, a Concreta opera como franquia, o que mostra o quanto esse processo foi decisivo para o negócio.
Em que momento a empresa está hoje e quais são os próximos passos?
Atualmente, estamos na fase de validação do modelo de franquia. Já abrimos dois escritórios e estamos realizando ajustes necessários nesse formato. Os próximos passos envolvem concluir essa validação, escalar a operação com a abertura de novos escritórios no Brasil e, paralelamente, avançar no desenvolvimento de uma tecnologia própria. Já temos dois clientes utilizando esse software, e existe a possibilidade de, a partir disso, criar uma spin-off de um modelo SaaS voltado para ERP de assessoria de licitações.
Como você enxerga o futuro da tecnologia e da inovação em Santa Catarina?
Acredito que o futuro da economia de Santa Catarina está diretamente ligado à inovação tecnológica. O estado enfrenta limitações históricas de infraestrutura, especialmente viária e industrial, o que acabou freando a expansão do parque fabril ao longo das últimas décadas. Diante desse cenário, Santa Catarina se adaptou a um modelo econômico que não depende fortemente de investimentos estatais, e a tecnologia passou a ocupar esse papel. Vejo que empresas de serviços têm, cada vez mais, a tendência de desenvolver tecnologia própria e buscar escala a partir disso, o que já se tornou um traço cultural do estado. Hoje, Santa Catarina é uma referência nacional em inovação e tende a se distanciar ainda mais de outros estados nesse aspecto. Em conversas com profissionais de ecossistemas como São Paulo e Minas Gerais, um comentário recorrente é sobre a praticidade com que se inova aqui. As regras de crescimento e inovação costumam ser mais simples e objetivas, refletindo uma cultura de “menos é mais” e foco em resolver o que realmente importa.