O cineasta catarinense Jonas Serpa Souza, natural de Blumenau, acaba de inscrever seu nome no cenário audiovisual internacional. Ele foi eleito Melhor Diretor na 19ª edição do National Film Festival for Talented Youth (NFFTY), realizado no final de março de 2026 em Seattle, nos Estados Unidos.
Considerado o maior festival global dedicado a jovens realizadores de até 23 anos, o NFFTY funciona como uma vitrine de prestígio, comparável a festivais como Sundance e Cannes para a nova geração.
A conquista inédita veio por meio da direção do curta-metragem Soldiers, uma obra audaciosa produzida pela Bicho Productions, produtora da qual Jonas é sócio ao lado das norte-americanas Rebecca Rhodes e Genna Roth.

Segundo o diretor, a concepção do filme inicialmente parecia “uma ideia maluca” por unir uma equipe estadunidense em torno de uma narrativa complexa sobre o Brasil.
É engraçado porque me mudar para fora do Brasil me mostrou o quão brasileira é a minha visão de mundo e o meu gosto artístico, então a ótica brasileira acabou vindo automaticamente – embora ela tenha sido 100% intencional.
Agora, explicar pros Americanos as nuances da vida brasileira foi um desafio um pouco maior e que exigiu bastante trabalho de pesquisa. Eu e Genna, que dirigiu a fotografia do filme, fizemos algumas maratonas de filmes brasileiros, de Eles Não Usam Black-tie até Os Sete Gatinhos. Mandei pro time muitas playlists, fotos antigas de família, matérias de jornal, um monte de coisa pra tentar explicar visualmente o sentimento de ser Brasileiro.
Tive uma reunião inteira pra explicar que o bar no final do filme precisaria ter copos americanos. Foi muito massa. – comenta Jonas
O filme não foge de debates densos, abordando temas como homossexualidade, violência, sexo, revolução e descobrimento. A narrativa foi influenciada tanto pela investigação contínua de Jonas sobre identidade quanto pelo clima dos recentes protestos estudantis nos EUA.
Para mim esses dois universos caminham juntos. Desde as primeiras linhas do roteiro, eu sabia que Soldiers não poderia ser só sobre um ou só sobre o outro. Até porque esses mundos são inteiramente interligados. O Renato, protagonista do filme, é um reflexo direto do mundo ao redor e vice-versa. Essa é meio que a mensagem, sabe? Lutar por um mundo melhor e mais justo também é lutar por uma vida íntima mais livre e verdadeira.
Nascido João Vinicius em 2003, o jovem iniciou sua trajetória na arte em Blumenau, onde atuou e escreveu para teatro e até ajudou a fundar o Coletivo Teatral Flor’Arte. Mudou-se para os Estados Unidos em 2021 para cursar Cinema e Televisão na DePaul University, onde adotou o nome “Jonas”. Agora parte da Bicho Productions, Jonas comenta a importância do termo:
Bicho é a reivindicação de uma identidade marginal imposta a nós. Viados, imigrantes, transexuais, minorias em geral… para nós, ser tratado como bicho é uma realidade. Quando convêm, somos família, mas quando aperta, bicho é bicho e nossos direitos são os primeiros a irem pela janela.
Na Bicho, nós cansamos de lutar para sermos aceitos em um mundo feito para nos excluir. Nós preferimos viver em um mundo nosso. Nós reivindicamos nosso título de bicho com a cabeça erguida e estamos gastando nossas energias para criar um mundo nosso, para nós, e por nós.
A escolha do júri do NFFTY avaliou a consistência técnica da obra, celebrando o trabalho minucioso de Jonas em ritmo narrativo, condução de elenco, fotografia e estética. Durante o evento, a recepção calorosa do público foi, para a equipe, o grande prêmio.
Mas a vitória na categoria de direção pegou o blumenauense de surpresa: no momento do anúncio, ele vestia uma camisa da seleção brasileira de 2013, acreditando que sairia sem troféus.
Acho que a coisa mais importante que eu posso dizer é que vale a pena ser quem você é e fazer o que faz sentido para ti.
Nos Estados Unidos, existe uma pressão absurda pra que imigrantes se assimilem a esse mundo hegemônico norteamericano. Ouvi minha vida inteira que só faria cinema se virasse Americano. A realidade é que a graça da vida é ser sincero consigo mesmo.
Às vezes a gente cria essa expectativa de que a vida só vale a pena quando alcançamos os maiores feitos e essa visão rapidamente te coloca em uma caixa. O prêmio de melhor direção foi muito massa, mas o que me emocionou de verdade foi perceber que recebi ele sendo sincero às minhas convicções, lutas, e protestos.
O mais engraçado é que a camiseta brasileira foi totalmente acidente! Falei pra Genna, “meu, espero que a gente não ganhe nada porque eu tô só de camiseta.” Acabou que ficou simbólico.
Além de Soldiers, Jonas destaca mais 2 produções brasileiras que também estão no mesmo circuito:
Também queria mencionar que o filme brasileiro São Paulo, New York também foi premiado no NFFTY.
E vai ter filme de amigo brasileiro meu (André Cecilio) no CineYouth. Brasil tá no topo!
Com um talento chancelado internacionalmente, Jonas mostra que a identidade brasileira é, mais do que nunca, uma força poderosa para o cinema global e se prepara para o que o futuro o reserva.
O NFFTY foi uma explosão maluca de emoções, mas também foi nosso primeiro festival com o Soldiers. Então os próximos passos do filme, se tudo der certo, incluem mais festivais!
No momento, a gente tá bem feliz de conseguir passar o filme em Chicago dia 25 de abril no CineYouth, que também é um BAITA festival estudantil. O CineYouth é diretamente ligado com o Chicago International Film Festival que é um dos maiores festivais de cinema do país.
Nossos dois maiores objetivos eram NFFTY e CineYouth, então acho que estamos começando bem!
Agora a Bicho está Co-Produzindo um longa-metragem de drama pós apocalíptico em parceria com a Broken Radiator, outra produtora independente de Chicago. O filme se chama The Woodcutter & The Weaver e está na fase de pós-produção.
Em Outubro, eu vou dirigir meu próximo filme com a Bicho, chamado Erotica, sobre um pintor de quadros eróticos.
Tá tudo no nosso site bichoproductions.com
Sobre Soldiers
ELENCO E EQUIPE
Renato: Luis Antonio Mora
O Policial: Nico Fernandez
Clara: Eliana Deckner-Glick
Silvio: Jef Burnham
Bêbado: Zeno Camera
Repórter: Sofia Mohta
Delegado: Jonas Serpa Souza
Diretor e roteirista: Jonas Serpa Souza
Produtores executivos: Genna Roth e Jonas Serpa Souza
Produtores: Ryan Dombrowski, Maya Hennessey e Rebecca Rhodes
Assistente de direção: Rebecca Rhodes
2º assistentes: Matt Booden, Kaity Holmes, Jillian Walls e Margarita Litchfield
Chefe dos assistentes de produção (Key PA): Delaney Kaufman
Assistentes de produção (PAs): Natalie Albaugh, Alissa Berez e Sloan Goodwin
Script supervisor / continuidade: André Cecilio
Coordenadora de intimidade: Toranika Washignton (planeja, coreografa e supervisiona cenas de nudez, sexo simulado ou contato físico intenso em filmes e séries, garantindo a segurança física e emocional dos atores)
Fotógrafo de bastidores: Christopher Kostopoulos
Catering (suporte de alimentação e hidratação): Nicolas Kim e Quinn Howarth
Diretora de fotografia: Genna Roth
1º assistente de câmera: Audrey Weber
2º assistente de câmera: Lily McCauley
Assistente de câmera de apoio (Cam Utility): Hunter Nealey
DIT: André Cecílio e Quinton Strain
Chefe de elétrica / iluminação (Gaffer): Kayla Garcia
Assistente: Meredith Smith
Equipe elétrica: Nicolas Amat
Chefe de maquinaria (Key Grip): Dominic Mongelli
Best Boy Grip: Ryan Santia
Grip / equipe de maquinaria: Isa Gonzalez, Victor Garces e Sean Bennett
G&E Swing: Cameron Eader
Designer de produção / direção de arte: Averyy Macnab e Simone Cruice-Barnett
Assistente de arte: Mayah Gold
Armeiro: Rob Ludtke
Figurinista: Bella Parkinson
Maquiadora: Mady Brenn
Som: Meghan Shaw e Lucie Moore
Figurantes: José Jaquinto, Dane Dal Bianco, Sara Teixeira Vianna, Noah Tomko Jones, Miguel “Xará”, Eric Lewis, Bruno Pedrini, Enzo Menezes, Paola Battistella, Mosé Lemav Quinn Howarth