Pesquisar

Quando o hacker ataca, geralmente já é tarde demais

Foto: divulgação.

Por Sérgio Vendramini, CEO da Sysdata.

Durante muito tempo, muita gente acreditou que ataques cibernéticos eram problemas distantes, restritos a grandes bancos, multinacionais ou órgãos públicos. Mas essa realidade mudou.

Hoje, pequenas e médias empresas também estão no radar dos criminosos digitais, muitas vezes justamente por terem menos estrutura de proteção e monitoramento.

Os números ajudam a mostrar o tamanho desse cenário. Segundo o relatório global de ameaças divulgado pela Fortinet, o Brasil registrou mais de 753 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos ao longo de 2025.

Além disso, as atividades de distribuição de malware cresceram 535% em relação ao ano anterior e os ataques por força bruta tiveram aumento de 70%.

Por trás desses números existe uma verdadeira indústria do cibercrime operando no mundo inteiro. Muitos grupos funcionam como empresas organizadas, com divisão de tarefas, metas financeiras e uso intenso de automação e inteligência artificial.

Existem criminosos especializados em roubo de senhas, grupos focados em ransomware (que sequestram dados e cobram resgate) e até mercados clandestinos onde acessos ilegais são vendidos na internet.

E diferente do que muita gente imagina, esses ataques raramente começam de forma cinematográfica. Na maioria das vezes, tudo começa com algo simples: um e-mail falso, um link malicioso, uma senha vazada ou um acesso sem controle.

Um único clique pode abrir espaço para invasões silenciosas, que muitas vezes permanecem dias ou semanas dentro do ambiente antes de serem percebidas.

Outro ponto que chama atenção é a velocidade. Em muitos casos, o intervalo entre a descoberta de uma vulnerabilidade e sua exploração já acontece em questão de horas.

Isso muda completamente a lógica da segurança digital, porque o problema já não está apenas em impedir ataques, mas em quanto tempo a empresa leva para perceber que algo está acontecendo.

Hoje, segurança deixou de ser apenas instalação de antivírus ou firewall. O desafio está em monitorar, entender e responder rapidamente ao que acontece dentro da operação.

É preciso ter visibilidade em tempo real, identificar comportamentos fora do padrão e agir antes que o impacto atinja atendimento, vendas, produtividade e continuidade do negócio.

Porém, costumo lembrar: tecnologia sozinha não resolve tudo. Por trás das operações modernas de cibersegurança é preciso existir profissionais especializados analisando contextos, validando alertas e tomando decisões rápidas diante de ameaças cada vez mais sofisticadas.

O olhar humano continua sendo indispensável para interpretar cenários e transformar informação em resposta.

No fim das contas, segurança digital deixou de ser apenas um assunto técnico. Ela passou a fazer parte da continuidade das empresas, porque quando uma operação para, o impacto vai muito além da tecnologia.

Compartilhe

Tudo sobre economia, negócios, inovação, carreiras e ESG em Santa Catarina.

Leia também