O mercado brasileiro de análises clínicas passa por um processo de transformação impulsionado pela consolidação de grandes redes, pelo avanço das tecnologias de diagnóstico e pela necessidade de maior eficiência operacional.
Nesse cenário, pequenos e médios laboratórios enfrentam o desafio de preservar a proximidade com seus pacientes enquanto profissionalizam sua gestão para manter a competitividade.
Foi a partir dessa realidade que nasceu o LabAzul, movimento idealizado pelo farmacêutico-bioquímico e empresário Carlos Nyander Theiss para apoiar laboratórios independentes em todo o país.
A iniciativa surgiu da experiência acumulada na gestão do LabVital, laboratório catarinense que completa 20 anos de atuação e serviu como base para o desenvolvimento de uma metodologia voltada à liderança, gestão e fortalecimento empresarial.
Desde sua criação, já impactou mais de 1 mil laboratórios em diferentes estados brasileiros por meio de mentorias, eventos e programas de desenvolvimento voltados ao setor.
Gestão passa a ser diferencial competitivo
Para ele, o mercado exige hoje competências que vão além da excelência técnica.
“O conhecimento científico continua sendo essencial, mas já não é suficiente para garantir a sustentabilidade de um laboratório. Gestão, liderança, cultura organizacional, tecnologia e experiência do paciente passaram a fazer parte da estratégia de crescimento dessas empresas”.
Segundo ele, muitos laboratórios familiares ou regionais possuem elevada qualidade técnica, mas encontram dificuldades para estruturar processos de gestão, desenvolver lideranças e posicionar seus negócios em um ambiente cada vez mais competitivo.
Experiência prática deu origem ao movimento
A metodologia foi construída a partir da operação do LabVital, onde ele acompanhou, ao longo de duas décadas, os desafios relacionados ao crescimento da empresa, formação de equipes, organização de processos e relacionamento com pacientes.
Essa vivência foi transformada em conteúdos, programas de capacitação e mentorias voltados a empresários do setor laboratorial.
“O proprietário de um laboratório normalmente foi formado para ser um excelente profissional da saúde. Em determinado momento, ele também precisa assumir o papel de gestor e empreendedor. Essa é uma mudança importante para o futuro do setor”, afirma.
Valorização dos laboratórios regionais
O movimento também busca reforçar o papel estratégico dos laboratórios independentes no sistema de saúde brasileiro.
Presentes em milhares de municípios, essas empresas mantêm uma relação próxima com médicos, pacientes e comunidades locais, característica que, segundo Nyander, pode se tornar um diferencial competitivo quando acompanhada por uma gestão mais estruturada.
Para ele, o futuro do segmento passa pela combinação entre conhecimento técnico, inovação e gestão profissional.
“Os laboratórios independentes conhecem profundamente as necessidades das comunidades onde atuam. O desafio agora é preparar essas empresas para um mercado cada vez mais competitivo, sem perder essa proximidade que sempre foi uma de suas maiores fortalezas.”
Ao completar duas décadas de atuação, passa a representar não apenas a trajetória de um laboratório catarinense, mas também a origem de um movimento que busca fortalecer o empreendedorismo e ampliar a competitividade dos laboratórios independentes em todo o Brasil.