A construção da ponte Hercílio Luz foi um marco para o desenvolvimento socioeconômico de Florianópolis e, por extensão, de Santa Catarina.
Esse recorte do marco que o monumento histórico foi para o crescimento e manutenção da Capital em Florianópolis é um dos aspectos que atravessa o livro “Ponte Hercílio Luz – 100 anos”, que tem lançamento pela Editora Expressão na próxima terça-feira, dia 28, às 19h30, no Pátio Milano, com sessão de autógrafos do autor, o escritor e jornalista Maurício Oliveira.
Essencial para preservar Florianópolis como capital do estado, a Hercílio Luz tirou os então 40 mil habitantes da Ilha do isolamento e os conectou com todas as regiões do Estado. E impulsionou a divulgação da cidade para todo o Brasil em uma época em que a atividade turística, hoje motor da economia local, ainda não estava estruturada. Esse é um dos fatos contados no livro, que resgata o destaque dado pela imprensa nacional à cidade por conta da inauguração da ponte, quando as belezas naturais de Florianópolis também ganharam projeção.
“Outro fato que mostra o impacto da travessia para a economia regional foi o aumento de automóveis na Capital e a abertura de concessionárias e oficinas mecânicas especializadas, que ainda não existiam na cidade”, recorda o autor.
Da mesma forma, a partir da abertura da ponte, foi instalado o primeiro posto de gasolina na cidade, pelo empreendedor Eduardo Horn, agente da The Texas Company Limited, com autorização do então governador Adolpho Konder, que exigiu como contrapartida um repasse do percentual das vendas ao governo.
Com a rápida multiplicação de automóveis, a cidade deu início a uma revolução urbana.
“As novas construções da cidade passaram a prever garagens e a malha viária precisava se adequar, pois não havia calçamento nas ruas. Tudo isso trouxe impactos diretos à arquitetura e ao urbanismo”, conta.
O livro posiciona a rua Felipe Schmidt, no Centro comercial da Capital, como uma das vias pioneiras nesse processo: casarões coloniais começaram a ser derrubados para dar lugar a prédios.
A capacidade financeira do estado também foi afetada. O governo de Santa Catarina se endividou seriamente para construir a ponte e só conseguiu quitar os empréstimos quase seis décadas depois, em 1978.
Foram dois empréstimos de US$ 5 milhões tomados em 1919 e em 1922, que renderam 20.263 contos de réis, mas o estado só pôde dispor, efetivamente, de 40,5% do valor em razão de taxas, comissões e outros custos.
Nos primeiros 10 anos de funcionamento, houve cobrança de pedágio para atravessar a ponte, em valor que equivaleria a aproximadamente R$ 3,50 atualmente. Mas a taxa acabou abolida pelos volumosos protestos da população.
“Não se tratou de uma decisão simples, já que, em 1929, o pedágio da ponte respondia por cerca de 1% da arrecadação do governo catarinense”, conta o escritor.
O balanço do segundo semestre de 1929 mostra que a receita total do estado foi de 9.818 contos no período, sendo que a ponte arrecadou 97 contos.
As pesquisas para o livro atravessaram três décadas, desde que Oliveira lançou a primeira obra sobre o tema, “Ponte Hercílio Luz – tragédia anunciada”, em 1996. Na época, a abordagem tratava do real risco de desabamento da travessia, interditada e sem manutenção há anos.
O novo livro foi organizado em 100 tópicos e conta também curiosidades e fatos pouco conhecidos do principal símbolo do Estado sob aspectos históricos, políticos, culturais e sociais, amplamente ilustrados por fotos e documentos, com direção de arte de João Henrique Moço.