A expansão da infraestrutura portuária começa a incorporar soluções voltadas à redução do impacto ambiental das operações marítimas.
Em Santa Catarina, o projeto do Porto Brasil Sul (PBS), previsto para São Francisco do Sul, inclui a implantação da tecnologia conhecida como Cold Ironing, que permite fornecer energia elétrica aos navios enquanto permanecem atracados.
Com a solução, as embarcações podem desligar os geradores auxiliares movidos a diesel durante a permanência no terminal e utilizar a eletricidade fornecida diretamente pelo cais. A tecnologia está prevista desde a concepção do empreendimento, desenvolvido sob conceitos de Green Port e Economia Azul.
A proposta busca reduzir emissões atmosféricas e ruídos associados à operação de grandes embarcações na Baía da Babitonga.
Como funciona o Cold Ironing
Mesmo depois de atracar e desligar o motor utilizado para propulsão, um navio continua consumindo energia para manter sistemas internos, equipamentos, refrigeração de contêineres e demais estruturas em funcionamento.
Em terminais convencionais, essa demanda pode ser atendida por geradores auxiliares a diesel que permanecem ligados durante o período de atracação.
O Cold Ironing, também conhecido como fornecimento de energia elétrica em terra, modifica esse processo. Cabos de alta voltagem instalados no cais são conectados ao sistema elétrico da embarcação, permitindo desligar os geradores auxiliares enquanto o navio permanece no porto.
No projeto do Porto Brasil Sul, a adoção da tecnologia busca aproveitar também as características da matriz elétrica brasileira, com participação relevante de fontes renováveis.
Projeto busca reduzir emissões na Baía da Babitonga
Entre os principais objetivos da eletrificação dos navios atracados está a redução de poluentes associados à queima de combustíveis, incluindo óxidos de enxofre e de nitrogênio, dióxido de carbono e material particulado.
O projeto cita estudos da Agência de Recursos do Ar da Califórnia (CARB) como referência para os benefícios ambientais associados à substituição dos geradores auxiliares durante a permanência das embarcações nos terminais.
Além das emissões atmosféricas, o Porto Brasil Sul pretende utilizar a eletrificação para diminuir ruídos e vibrações provocados pelos motores auxiliares.
A redução do impacto acústico é especialmente relevante pela localização prevista do empreendimento na Baía da Babitonga, região onde atividades portuárias convivem com pesca artesanal, turismo, lazer e ecossistemas costeiros.
Sustentabilidade entra no planejamento da infraestrutura portuária
A adoção do Cold Ironing acompanha um movimento internacional de eletrificação das operações portuárias. Terminais como os portos de Rotterdam, na Holanda, e Los Angeles e Long Beach, nos Estados Unidos, são referências citadas pelo projeto na utilização de energia terrestre para embarcações.
No caso do Porto Brasil Sul, a diferença está na previsão da infraestrutura ainda na fase de projeto, evitando que a tecnologia precise ser incorporada posteriormente a um terminal já em funcionamento.
A iniciativa integra a estratégia do empreendimento de conciliar aumento da capacidade logística com redução dos impactos ambientais associados à atividade portuária.
Se implementada conforme previsto, a infraestrutura permitirá que grandes embarcações permaneçam atracadas em São Francisco do Sul com os geradores auxiliares desligados, incorporando a eletrificação ao funcionamento do terminal desde o início das operações.