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Custo de ataques cibernéticos no Brasil atinge recorde de R$ 7,44 milhões, aponta IBM

Rafael Minguet Delgado/Pexels

O impacto financeiro dos ataques cibernéticos está aumentando no Brasil e ampliando a necessidade de investimentos em segurança digital. Em 2026, o custo médio de uma violação de dados no país chegou a R$ 7,44 milhões, o maior valor registrado na série apresentada pela IBM, com crescimento de 3,5% em relação ao ano anterior.

Em 2025, o prejuízo médio havia sido de R$ 7,19 milhões, segundo o relatório anual Cost of a Data Breach 2026, conduzido pelo Ponemon Institute e patrocinado pela IBM.

O estudo analisou 602 organizações em diferentes países, incluindo 42 empresas brasileiras, que sofreram violações de dados entre março de 2025 e fevereiro de 2026.

Os resultados mostram que a combinação entre ataques mais sofisticados, sistemas de segurança complexos e uso crescente de inteligência artificial está modificando os riscos financeiros enfrentados pelas empresas.

Ao mesmo tempo, organizações que utilizam IA e automação de forma ampla em suas estratégias de defesa registraram custos menores para identificar, conter e responder aos incidentes.

Saúde e tecnologia estão entre os setores com maiores prejuízos

No Brasil, os maiores custos médios de violação de dados foram registrados em setores que lidam com informações sensíveis e operações dependentes de sistemas digitais.

Custo médio por violação de dados no Brasil em 2026:

SetorCusto médio
SaúdeR$ 12,55 milhões
TecnologiaR$ 8,96 milhões
ServiçosR$ 8,63 milhões
Média geralR$ 7,44 milhões

O setor de saúde apresentou o maior impacto financeiro, com custo médio aproximadamente 69% superior à média nacional.

Além das despesas relacionadas à investigação e recuperação dos sistemas, violações de dados podem provocar interrupções operacionais, comprometer informações de clientes e gerar impactos sobre a reputação das organizações.

Inteligência artificial pode reduzir em 30% o custo das violações

Um dos principais resultados do levantamento está relacionado ao uso de inteligência artificial e automação nas operações de segurança.

Segundo a IBM, empresas brasileiras que adotam amplamente essas tecnologias registraram custos médios de violação 30% menores.

Nas organizações que não utilizam IA e automação em seus processos de segurança, o custo médio chegou a R$ 8,69 milhões.

A diferença entre os grupos ultrapassou R$ 2,6 milhões por incidente, conforme os dados apresentados no estudo.

O resultado indica que a capacidade de identificar ameaças, analisar informações e responder rapidamente aos incidentes pode influenciar diretamente o impacto financeiro de um ataque.

Para Nicolas Mucci, líder de Serviços de Cibersegurança da IBM Consulting na América Latina, a evolução das ameaças exige mudanças na maneira como as empresas organizam suas estratégias de proteção.

“A inteligência artificial permite aos criminosos automatizar etapas, explorar vulnerabilidades em maior escala e acelerar ataques a um custo cada vez menor. Para as empresas, quanto maior o atraso, maior o custo”, afirma.

O executivo destaca que a redução do tempo entre a identificação de uma vulnerabilidade e sua correção é um dos fatores importantes para limitar os prejuízos.

Ataques com inteligência artificial elevam prejuízos

O relatório também identificou o crescimento das ameaças que utilizam inteligência artificial. Segundo a pesquisa, uma em cada quatro ameaças maliciosas analisadas envolve o uso dessa tecnologia.

Globalmente, os ataques impulsionados por IA apresentaram custo médio de aproximadamente R$ 35 milhões por violação, cerca de R$ 6 milhões acima da média dos demais incidentes de segurança.

Entre esses ataques, 62% tiveram como alvo organizações de infraestrutura crítica, incluindo setores como serviços financeiros e energia.

O levantamento também aponta riscos relacionados à segurança das próprias aplicações de inteligência artificial. Entre as organizações que sofreram violações envolvendo seus modelos ou sistemas de IA, o comprometimento de interfaces de programação e plug-ins respondeu por 27% dos casos. Configurações incorretas de ambientes em nuvem também apareceram em 27% das ocorrências.

Os resultados reforçam a necessidade de proteger não apenas os modelos de inteligência artificial, mas toda a infraestrutura tecnológica utilizada para seu funcionamento.

Falhas de segurança podem acrescentar mais de R$ 700 mil aos prejuízos

Além da sofisticação dos ataques, problemas na estrutura tecnológica das empresas estão entre os fatores que ampliam os custos das violações.

No Brasil, a complexidade dos sistemas de segurança, caracterizada pela utilização de múltiplas ferramentas e processos, acrescentou em média R$ 645,2 mil ao custo de um incidente.

Outro fator identificado foi a chamada shadow IT, prática que envolve o uso de aplicações e ferramentas tecnológicas sem conhecimento ou autorização das áreas responsáveis.

Segundo a pesquisa, a falta de visibilidade sobre essas aplicações representou um aumento médio de R$ 720,3 mil nos custos das violações.

O levantamento também identificou as principais causas iniciais dos incidentes no país. O phishing, que inclui tentativas de fraude por e-mail, mensagens e chamadas, respondeu por 16% das violações, com custo médio de R$ 7,93 milhões.

O comprometimento da cadeia de suprimentos, quando criminosos exploram vulnerabilidades em fornecedores ou parceiros para acessar sistemas corporativos, também representou 16% dos casos, com custo médio de R$ 7,32 milhões.

Quais medidas mais ajudam a reduzir os custos dos ataques?

A pesquisa da IBM identificou práticas de segurança associadas à redução do impacto financeiro das violações de dados no Brasil.

Entre as medidas com maiores economias médias estão:

  • Testes de segurança ofensivos: redução média de R$ 579,4 mil por incidente.
  • Criptografia: economia média de R$ 478,1 mil.
  • Gestão de credenciais: redução média de R$ 454,7 mil.

Os testes ofensivos simulam ataques reais para identificar vulnerabilidades antes que sejam exploradas. Já a criptografia busca proteger informações sensíveis, enquanto a gestão de credenciais permite controlar quem pode acessar sistemas e dados corporativos.

Para Nicolas Mucci, as organizações precisam integrar segurança, automação e correção de vulnerabilidades aos processos tecnológicos.

“Reduzir essa assimetria exige encurtar a distância entre identificar um risco e agir sobre ele. Isso passa por integrar segurança e remediação aos fluxos de desenvolvimento, fortalecer a proteção de identidades e acessos e usar automação para responder na mesma velocidade em que as ameaças evoluem”, explica.

Ransomware e proteção de dados seguem entre os desafios

O relatório também aponta mudanças no comportamento dos ataques de ransomware, modalidade em que criminosos utilizam mecanismos de extorsão digital.

A participação desses incidentes aumentou cinco pontos percentuais em relação ao ano anterior, chegando a 39% das violações analisadas.

Segundo o estudo, os criminosos estão ampliando as estratégias de pressão sobre as organizações, incluindo ameaças relacionadas à reputação das marcas, identificadas em 41% dos casos de ransomware.

Outro dado chama atenção para práticas básicas de proteção: apenas 37% das organizações que sofreram violações utilizavam criptografia para proteger dados sensíveis armazenados ou transmitidos entre dispositivos, redes e aplicações.

O cenário evidencia que, mesmo com o avanço de tecnologias como inteligência artificial e computação quântica, falhas relacionadas à proteção de informações e ao controle de acessos continuam presentes nas empresas.

Para o ambiente corporativo, a segurança digital passa a ter impacto direto sobre a gestão financeira, a continuidade das operações e a competitividade.

A pesquisa indica que a combinação entre prevenção, automação e capacidade de resposta pode contribuir para reduzir os prejuízos, especialmente em um cenário de ameaças mais rápidas e complexas.

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