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Coworkings que integram IA à gestão têm quase o dobro de lucratividade, aponta estudo

Foto: Ivan S/Pexels

A inteligência artificial está ganhando espaço na gestão dos coworkings brasileiros, mas sua utilização ainda está concentrada em atividades pontuais.

Segundo o Censo Coworking 2026, realizado pela Woba, ao menos 44% dos operadores já utilizam a tecnologia de alguma forma, enquanto apenas 6,7% conseguiram integrá-la efetivamente aos processos operacionais.

O levantamento também identificou uma diferença significativa nos indicadores financeiros. Entre os espaços que não utilizam inteligência artificial, 27,4% são lucrativos. Já entre aqueles que integraram a tecnologia à operação, esse percentual chega a 53,3%.

A diferença de 25,9 pontos percentuais indica uma associação entre o uso estruturado da IA e o desempenho dos negócios. Entretanto, o estudo ressalta que não é possível atribuir diretamente à tecnologia o aumento da lucratividade.

Os coworkings que apresentam maior integração também tendem a ter operações mais maduras, maior ocupação e processos de gestão mais organizados.

Apenas 6,7% dos coworkings integraram IA à operação

Embora a inteligência artificial já esteja presente em parte significativa do setor, sua adoção ainda ocorre principalmente em atividades específicas.

O Censo Coworking 2026 mostra que a maioria dos operadores que utilizam IA ainda não incorporou a tecnologia de maneira estruturada aos processos de gestão.

Os principais indicadores apresentados pelo levantamento são:

IndicadorResultado
Operadores que utilizam IA de alguma forma44%
Operadores com IA integrada à operação6,7%
Coworkings lucrativos sem uso de IA27,4%
Coworkings lucrativos com IA integrada53,3%

Para Pedro Vasconcellos, cofundador da Woba, a diferença de desempenho está relacionada ao nível de maturidade das operações.

“O dado mais relevante não é apenas a diferença de lucratividade, mas o que ela revela sobre o estágio de maturidade das operações. A IA começa a gerar valor quando deixa de ser usada de forma pontual e passa a estar conectada a processos, dados e decisões do negócio”, afirma.

Segundo o executivo, o próximo desafio do setor é avançar da experimentação para uma utilização mais estruturada, capaz de apoiar decisões relacionadas ao desempenho dos espaços.

Marketing, vendas e atendimento lideram aplicações

O levantamento aponta que marketing e atendimento estão entre as principais portas de entrada da inteligência artificial nos coworkings.

Nessas áreas, a tecnologia pode contribuir para automatizar atividades repetitivas e melhorar o relacionamento com potenciais clientes.

Entre as aplicações identificadas estão:

  • Produção de conteúdo e comunicação digital
  • Atendimento e relacionamento com clientes
  • Qualificação de leads comerciais
  • Agendamento de visitas aos espaços
  • Elaboração de propostas comerciais
  • Acompanhamento de oportunidades de vendas

A incorporação dessas ferramentas pode ajudar os operadores a organizar processos e reduzir o tempo dedicado a determinadas tarefas administrativas.

No entanto, o potencial de ganho operacional depende da integração entre ferramentas, informações e rotinas de gestão.

Ocupação continua sendo fator importante para a lucratividade

Apesar do avanço da inteligência artificial, a taxa de ocupação permanece entre os principais fatores associados ao desempenho financeiro dos coworkings.

O indicador representa a utilização da capacidade disponível e influencia diretamente a geração de receita dos espaços.

Nesse contexto, a IA pode funcionar como ferramenta de apoio à análise de dados comerciais e operacionais, contribuindo para o acompanhamento de oportunidades de vendas, atendimento e ocupação.

O estudo também identificou diferenças na adoção da tecnologia conforme o perfil dos estabelecimentos. Coworkings voltados ao atendimento de empresas utilizam mais inteligência artificial do que aqueles direcionados principalmente a pessoas físicas.

A presença da tecnologia também é maior entre operações de perfil premium. Os resultados sugerem que a adoção está associada a estruturas de gestão mais desenvolvidas, que já possuem processos e informações organizados para incorporar novas ferramentas.

Falta de tempo e organização dos dados dificultam adoção

Entre os operadores que ainda não utilizam inteligência artificial, os principais obstáculos não estão necessariamente relacionados à disponibilidade de ferramentas.

O Censo Coworking 2026 aponta que falta de tempo, organização inadequada dos dados e ausência de profissionais responsáveis pela implementação estão entre as principais dificuldades.

O cenário evidencia que a transformação digital depende de mudanças na forma como as empresas estruturam suas operações.

Antes de automatizar atividades, os gestores precisam compreender quais processos podem ser melhorados e quais informações são necessárias para acompanhar os resultados.

Para Pedro Vasconcellos, esse processo exige uma abordagem que vá além da contratação de soluções tecnológicas.

“Nosso trabalho não é simplesmente apresentar ferramentas de inteligência artificial, mas ajudar nossos parceiros a entenderem onde a tecnologia pode, de fato, apoiar o negócio, quais dados precisam ser acompanhados e como transformar essas informações em decisões”, explica.

Inteligência artificial acompanha amadurecimento do setor

Os resultados do levantamento mostram que a inteligência artificial começa a ocupar um espaço mais relevante na gestão dos escritórios flexíveis.

A diferença entre os indicadores de lucratividade evidencia a importância de analisar não apenas a adoção de novas ferramentas, mas também a capacidade das empresas de integrá-las aos processos operacionais.

Nesse cenário, gestão de dados, organização comercial e acompanhamento da ocupação permanecem elementos fundamentais para o desempenho dos negócios.

Para a Woba, o avanço da inteligência artificial no setor deverá estar relacionado à capacidade dos operadores de utilizar a tecnologia para apoiar decisões e melhorar a eficiência.

A tendência apontada pelo estudo é de um mercado em amadurecimento, no qual o diferencial deixa de ser simplesmente utilizar inteligência artificial e passa a estar na forma como ela é incorporada à rotina empresarial.

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