Metaverso será caminho sem volta para quem não quer ser engolido pela concorrência

O metaverso tem sido muito debatido nas últimas semanas. Mas como, na prática, esse conceito pode ser aplicado por empresas? Mais do que isso: por que usar essa ferramenta? Para entender mais sobre esse conceito, o Economia SC Drops conversou com Juan Pablo Boeira, CEO da AAA Academy. Confira abaixo:

O que é, na prática, o metaverso e por que está em alta?

Juan: Você já teve a sensação de querer muito ir em uma festa, mas não foi convidado? Só que aí, durante a festa, você consegue o convite, todavia se dá conta de que não tem a roupa certa para ir? O metaverso é exatamente isso. Muitas pessoas e empresas não só já estão fazendo parte de uma grande festa e extremamente promissora, e ainda ganhando muito dinheiro com isso. De maneira geral, existem inúmeras definições sobre metaverso, como uma “representação digital do nosso mundo físico sem nenhuma perda de continuidade de tempo e espaço”. Também, “um novo mundo virtual integrado ao mundo físico que muitas empresas ligadas à nova economia estão desenvolvendo”. Ou ainda, “metaverso são ambientes digitais imersivos e compartilhados entre os quais as pessoas podem acessar e experienciar por meio de realidade virtual, realidade aumentada, realidade mixada ou telas de computador”. Na realidade e na prática, assim como a internet móvel foi a evolução da internet, o metaverso é a evolução da internet móvel. Ou seja, é o próximo passo de como usaremos a tecnologia daqui para frente. E ele está em alta por duas questões muito simples. A primeira, por incrível que pareça, é pelo fato das redes sociais terem sido o nosso grande treinamento inicial para o metaverso. Pois foi onde treinamos para sermos o objeto de desejo das pessoas. Quando postamos algo, temos como objetivo que nossos conteúdos obtenham engajamento, curtidas, comentários e compartilhamentos. E a segunda, é em função da pandemia ter contribuído para acelerarmos as nossas relações virtuais. Estes dois fatores contribuíram fortemente para que o metaverso se popularizasse nos últimos meses, fora é claro, pela mudança de nome de uma grande empresa mundial como o Facebook para Meta. 

Quais as diferenças do metaverso?

Juan: Para entendermos o metaverso, costumo fazer uma alusão ao jogo “The Sims” no qual é ao mesmo tempo online, multiplayer e existem interações com a vida real. Mas para compreendermos corretamente o metaverso, é necessário conhecermos os seus quatro pilares de sustentação que são Realidade Virtual, Realidade Aumentada, Realidade Mixada e Web 3.0. Ou seja, a realidade virtual faz parte do metaverso, uma vez que ela nos blinda do mundo real e cria uma nova realidade de um mundo totalmente alternativo. Já a realidade aumentada, não cria uma realidade independente, mas mescla o mundo real com projeções virtuais criando uma realidade diferente. E a realidade mixada proporciona uma interação real com objetos virtuais e tudo isso é suportado pelos protocolos da Web 3.0, que proporcionam a descentralização dos processos.

O metaverso é mais uma tendência ou só a onda do momento?

Juan: O metaverso já deixou de ser uma tendência há anos e muito menos uma onda, pois precisamos ter claro que uma tendência não se configura quando fatos já estão acontecendo. Ou seja, o metaverso já é fato e só vem crescendo desde que foi cunhado, em 1992, por Neil Stephenson em seu livro Snow Crash. Se o metaverso já não fosse uma realidade, gigantes da tecnologia não estariam adquirindo tantas empresas para comporem de forma cada vez mais robusta seus ecossistemas de metavarso, como por exemplo a Microsoft, que investiu US$ 70 bilhões na aquisição da Activision para entrar com tudo neste mundo.

Como ele pode ser aplicado e quais diferenciais isso traz às empresas?

Juan: Não existe uma “receita de bolo” para aplicar o metaverso, pois o limite neste campo é a imaginação. Temos olhado para o metaverso como uma versão interativa e imersiva da internet e suas possibilidades digitais. Mas esta é uma visão técnica de infraestrutura. O metaverso é o alinhamento de todos os assets digitais e interativos voltados a negócios e integração de experiências, como nunca antes tínhamos conseguido alinhar. Com ele, vamos nos libertar dos celulares e nos conectar a tudo, porque todas as coisas que puderem estar conectadas, estarão conectadas. Ou seja, diante deste cenário, as aplicações e diferenciais são infinitos e tudo depende da criatividade, dos objetivos estratégicos de cada negócio, da infraestrutura disponível e do orçamento para investir nos projetos. Um exemplo claro, é na indústria do turismo. Um dos maiores desafios no negócio de turismo e hospitalidade, é atender às expectativas dos hóspedes em constante evolução. Desde processos de reserva perfeitos e experiências de estadia únicas, até ofertas de pacotes valiosos, há uma grande demanda por uma experiência otimizada do hóspede. Como muitos dos viajantes de hoje são conhecedores de tecnologia, o metaverso pode transformar o setor redefinindo a experiência do hóspede. 

O metaverso é acessível? O que é necessário para ele ser aplicado? 

Juan: Como qualquer inovação tecnológica, o metaverso é acessível de acordo com as ambições estratégicas e musculatura financeira de cada empresa. Basicamente, as organizações precisam escolher como entrar no metaverso avaliando se entrarão em ambientes centralizados ou descentralizados, bem como abertos ou fechados. Outra análise necessária, é se as operações financeiras serão via e-commerce ou criptomoedas e se operarão via workrooms ou serão gamificados. Optar por design dos ambientes e dos avatares serem estilizados ou realísticos, e também avaliar se serão ambientes com a necessidade de utilização de óculos de realidade virtual ou acessíveis a desktops, também são avaliações necessárias na hora de desenvolver um projeto para ingressar em algum metaverso. De forma geral, estes e outros requisitos de projeto são fundamentais para que seja escolhido o ambiente metaverso mais adequado aos objetivos de cada empresa.

Como você acredita que essa ferramenta será explorada? Quais setores podem usufruir melhor disso? 

Juan: Não consigo vislumbrar nenhum setor que não seja impactado com o metaverso. Logo mais, não fazer parte do metaverso, será o mesmo que dizer hoje em dia que nenhuma pessoa ou empresa usará internet móvel. As questões operantes são: sua empresa já está inserida neste contexto mercadológico? Como sua empresa está se posicionando neste tabuleiro de xadrez? Como seu produto será consumido no metaverso? Será que as atuais empresas líderes de mercado continuarão sendo líderes no futuro metaverso? O que eu quero dizer com isso é que absolutamente todos os setores não só podem já usufruir, como devem, imediatamente, entrar neste campo para não serem engolidos por concorrentes ou substitutos. Mas de fato, o mais importante é que precisamos ter claro que é um caminho sem volta, e o metaverso é uma nova lente que estamos colocando na câmera da nossa realidade em todos sentidos e campos de atuação daqui para frente.

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