Ao longo da minha trajetória como empresário no setor de eventos, uma constatação se repetiu mais vezes do que eu gostaria. Muitas das maiores resistências ao crescimento não vêm do mercado, da concorrência ou da falta de recursos. Elas surgem dentro do próprio círculo profissional. E, muitas vezes, de pessoas próximas.
Esse comportamento é conhecido como o fenômeno do “Balde de Caranguejos”. A metáfora é simples e incômoda. Um caranguejo sozinho consegue sair do balde. Quando vários estão juntos, nenhum escapa. Sempre que um tenta subir, os outros o puxam de volta. Não se trata de maldade consciente, mas de instinto.
No mundo corporativo, isso aparece de forma sutil. Está no profissional que decide se qualificar mais e passa a ser rotulado como exagerado. No empreendedor que propõe inovação e recebe apenas listas de riscos, nunca de oportunidades. Ou na empresa que busca profissionalizar processos e enfrenta resistência interna disfarçada de “cautela”.
A verdade é dura, mas necessária. As pessoas raramente têm medo do seu fracasso. Elas têm medo do seu sucesso. O avanço de alguém funciona como um espelho desconfortável, expondo escolhas adiadas, estagnações prolongadas e zonas de conforto preservadas por tempo demais.
No setor de eventos, onde criatividade, escala e ousadia são essenciais, isso se intensifica. Crescer exige elevar padrões, abandonar práticas antigas e aceitar novos níveis de cobrança. Nem todos querem, ou conseguem, acompanhar esse movimento.
Com o tempo, aprendi que a opinião de quem nunca saiu do balde não pode orientar decisões de quem busca crescimento sustentável. Liderar é entender que a ascensão, muitas vezes, começa de forma solitária. E que os primeiros puxões para baixo costumam vir de dentro, não de fora.
O sucesso exige duas coragens fundamentais. A de começar e a de seguir em frente, mesmo quando nem todos vêm junto. Sair do balde não é arrogância. É estratégia.