Pesquisar

Por que marcas líderes investem tanto em engenharia e produção?

Foto: divulgação.

Por Moisés Olavo da Silva, executivo com mais de 20 anos de experiência em engenharia de produto, sourcing e gestão de produção para marcas globais.

Em uma realidade em que 86% dos consumidores afirmam estar dispostos a pagar mais por uma experiência superior, segundo levantamentos da Zippo Education Report, garantir qualidade, confiabilidade e consistência passou a ser um imperativo competitivo.

Devido a esse cenário, marcas líderes globais vêm direcionando investimentos cada vez maiores para engenharia de produto, sourcing estratégico e gestão de produção.

Durante muito tempo, engenharia e produção eram vistas apenas como centros de custo.

Hoje, elas são pilares estratégicos, pois se o produto falha, ou se ocorre uma inconsistência na qualidade, toda a promessa feita pelo marketing perde credibilidade. Ou seja, a experiência do cliente começa muito antes da venda.

Na prática, esse movimento se traduz em investimentos robustos em testes de qualidade, digitalização da manufatura, rastreabilidade de componentes e integração entre áreas técnicas e estratégicas.

Empresas com processos produtivos maduros registram menores índices de devolução, redução de recalls e maior previsibilidade de entrega, fatores que impactam diretamente a satisfação e a fidelização do cliente.

Aqui, vale reforçar que o maior erro de algumas empresas é tratar engenharia como área isolada do negócio. Quando engenharia, compras e produção trabalham de forma integrada, é possível antecipar riscos, homologar fornecedores mais preparados e reduzir falhas antes que elas cheguem ao consumidor.

Isso protege margem, reputação e relacionamento de longo prazo.

Em cadeias globais de fornecimento, a gestão estratégica de sourcing é peça-chave para manter padrão de qualidade, mesmo em cenários de instabilidade logística.

Auditorias técnicas, múltiplas fontes de suprimento e controle rigoroso de especificações são medidas que evitam variações que poderiam comprometer a experiência final do cliente.

Além disso, a incorporação de tecnologias como análise de dados em tempo real e prototipagem digital permite que ajustes sejam feitos ainda na fase de desenvolvimento, reduzindo retrabalho e acelerando o lançamento de produtos mais confiáveis. 

Em um cenário de mercados cada vez mais sensíveis a reputação e avaliações públicas, proteger a experiência do cliente começa muito antes da vitrine ou da campanha publicitária.

A experiência do cliente é a soma de todas as promessas cumpridas. E quem garante que elas sejam cumpridas, na maioria das vezes, é a engenharia.

Compartilhe

Tudo sobre economia, negócios, inovação, carreiras e ESG em Santa Catarina.

Leia também