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Construir o improvável é uma decisão e Santa Catarina decidiu há 40 anos

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Foto: divulgação

Santa Catarina não se tornou um polo de tecnologia por acaso. Há 40 anos, esse caminho ainda não estava desenhado e o setor não figurava como protagonista na economia estadual. Foi a partir da iniciativa de empreendedores que enxergaram na tecnologia uma oportunidade de transformação que começou a se estruturar esse movimento baseado em inovação e em colaboração.

Ao longo das últimas quatro décadas, esse movimento ganhou consistência e escala. Ideias deram origem a empresas, empresas se consolidaram como referências e o setor passou a ocupar um papel relevante no desenvolvimento econômico do estado. Mais do que um conjunto de negócios, formou-se um ambiente em que a troca de conhecimento, a construção conjunta e o apoio entre empreendedores se tornaram elementos centrais para o crescimento.

É nesse contexto que surge o conceito de “construir o improvável”. Não como uma expressão retórica, mas como a síntese de um processo contínuo, que depende de visão de longo prazo e da capacidade de agir coletivamente. O improvável, nesse caso, não está no resultado em si, mas na decisão de construir algo que, naquele momento inicial, ainda não parecia evidente.

Os dados mais recentes ajudam a dimensionar o sucesso dessa trajetória. Segundo o Observatório ACATE, o setor de tecnologia em Santa Catarina movimenta R$ 42,5 bilhões por ano, representa 7,75% do PIB estadual e reúne mais de 29 mil empresas. São mais de 100 mil empregos gerados, com crescimento acima da média nacional, refletindo um ambiente dinâmico e em expansão. Esses números indicam desempenho econômico ao mesmo tempo em que revelam a maturidade de um ecossistema que se estruturou de forma consistente ao longo do tempo.

A ACATE está inserida nesse processo como uma entidade que atua na articulação e no fortalecimento dessas conexões. Ao longo dos anos, contribuiu para fomentar o desenvolvimento de empresas, estimular a troca de experiências e consolidar uma cultura de apoio mútuo. Hoje, reúne mais de 1.850 associadas e mantém uma rede que conecta diferentes regiões, setores e estágios de maturidade empresarial, além de promover iniciativas que também marcam essa trajetória, como a celebração dos 40 anos da entidade, que inclui uma edição especial da tradicional feijoada da ACATE, em abril.

Outro aspecto relevante dessa trajetória é a forma como a tecnologia passou a se integrar à economia como um todo. Sua presença se expandiu para diferentes cadeias produtivas, ampliando a capacidade de inovação e contribuindo para o aumento da competitividade em diversas áreas. Esse movimento reforça o papel da tecnologia como elemento estruturante do desenvolvimento em diferentes setores do mercado.

Ao mesmo tempo, o avanço traz novos desafios. A formação e retenção de talentos, diante de uma demanda crescente por profissionais, e a ampliação do uso de tecnologia em setores ainda pouco digitalizados são temas que exigem atenção. A continuidade desse crescimento dependerá da capacidade de enfrentar essas questões com o mesmo espírito de articulação que marcou a trajetória até aqui.

O principal aprendizado desses 40 anos é que nenhum ecossistema se desenvolve de forma isolada. Resultados consistentes são fruto de construção coletiva, de relações de confiança e de uma visão compartilhada de futuro. Foi essa lógica que permitiu transformar potencial em realidade. Construir o improvável, portanto, segue sendo a nossa decisão. E também uma responsabilidade coletiva para os próximos ciclos de desenvolvimento.

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Presidente da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE).

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