Quando se fala em “delegação de Santa Catarina” no South Summit Brazil 2026, pode soar como algo institucional. Quase como uma convocação olímpica, reunindo os melhores, escolhidos a dedo para representar o estado.
Mas não é isso que acontece.
E talvez a beleza esteja justamente aí.
A presença catarinense no evento é muito mais orgânica do que protocolar. Ela nasce da soma de iniciativas individuais, de conexões que já existem e de outras que simplesmente acontecem. Estão lá parceiros do ecossistema, investidores, articuladores, gente de mídia, como é o meu caso, e também pessoas que decidiram estar presentes por conta própria. Compraram ingresso, organizaram a agenda e foram.
Não existe uma delegação formal.
Existe um movimento.
E, dentro desse movimento, há um grupo que de fato entra em campo como atleta de alto rendimento. As startups selecionadas para a competição. Em meio a milhares de inscritas, vindas de dezenas de países, elas chegam ao evento não apenas para participar, mas para disputar visibilidade global, investimento e validação.
A verdade é que, se essa “delegação” tivesse sido desenhada previamente, talvez não fosse tão potente quanto aquilo que se formou de maneira espontânea.
Porque o que se vê, na prática, é quase um canivete suíço de um ecossistema.
Um grupo heterogêneo, formado por especialistas com trajetórias distintas, competências complementares e visões próprias. Cada um no seu setor, no seu quadrado, com sua entrega bem definida.
Mas é justamente quando essas peças se encontram que algo maior acontece.
É ali que a mágica ganha forma.
É ali que o ecossistema deixa de ser conceito e passa a ser prática.
No meu caso, esta já é a terceira participação no South Summit Brazil 2026. E, nos anos anteriores, sempre contei com a parceria da minha amiga Dani Glück, uma das pontes mais ativas entre Santa Catarina e o evento.
Há cerca de um mês, ela me trouxe uma notícia direta: neste ano, não conseguiria estar presente.
Mas o que poderia ser ausência virou movimento.
Ainda não existia um grupo organizado conectando os catarinenses que estariam no evento. Nenhum ponto de encontro, ainda que digital, que desse forma a essa presença dispersa.
A proposta foi simples.
Começar.
Criar um grupo. Dar o start. Conectar.
Ela topou na hora.
E, de certa forma, ali já começava a acontecer aquilo que define o ecossistema: gente que, mesmo quando não está fisicamente presente, encontra um jeito de construir.
Como resume bem Dani Glück:
“Ser embaixadora é garantir que ninguém passe pelo South Summit Brazil 2026 sozinho e ajudar a transformar conexões em oportunidades que continuam depois do evento.”
O grupo, que nasceu de forma despretensiosa, rapidamente ganhou corpo.
Vieram pessoas antes do evento. Vieram durante. Vieram conexões improváveis.
Gente que divide os mesmos espaços em Santa Catarina, centros de inovação, hubs, eventos, mas que raramente para para se olhar com tempo e intenção.
E também apareceram nomes completamente novos.
Pessoas que eu nunca tinha ouvido falar.
E isso é uma das partes mais ricas de tudo.
Porque a inovação, quase sempre, mora justamente ali. No diferente. No desconhecido. No que ainda não entrou no radar.
No meio disso tudo, tive o privilégio de encontrar pessoas que admiro.
Como Lorena de Jesus, da Panthera Design, que representa uma nova geração do ecossistema. Gente que não apenas participa, mas se movimenta, conecta e se entende como liderança de comunidade.
Ou Márcio Cabral, uma referência pessoal dentro da inovação, alguém que ensina, na prática, o que significa construir comunidade à frente do Impact Hub Floripa.
Esse mesmo espírito aparece em Maíra Rodrigues, founder e CEO da Ousaria, que transforma visão em construção.
E, se esse grupo já representa um ecossistema que inova, também é preciso olhar para quem está empurrando essa fronteira ainda mais.
Como Vanessa Muniz, da Personal Tech Academy, uma empresa que eu já admirava à distância e que, ao ganhar proximidade, só reforça essa percepção.
Existe algo potente quando a admiração vira troca.
Eu gostaria de conseguir citar cada pessoa que estava naquela foto.
Mas sei que um ecossistema não se resume a nomes individuais.
Ele se revela no coletivo.
E, quando parecia que essa jornada já tinha entregado tudo o que tinha para entregar, veio o inesperado.
O ouro.
Já de volta ao Airbnb, no final da sexta-feira, longe do palco, chegou a notícia que coroava tudo aquilo.
A Scienco Biotech foi consagrada como Global Winner do South Summit Brazil 2026.
Um feito que não nasce de um momento isolado, nem de uma única iniciativa.
Ele é resultado de um ambiente que vem sendo construído há anos, por muitas mãos, com diferentes visões, mas com uma direção que, mesmo sem alinhamento formal, parece convergir.
E é justamente aqui que tudo se conecta com o início.
A tal “delegação” que nunca foi organizada, no fim das contas, funcionou como se fosse.
Não por planejamento central, mas por maturidade coletiva.
Sem combinar, Santa Catarina ocupou espaço, gerou conexão relevante e demonstrou, na prática, a força de um ecossistema que sabe o que está construindo.
Cada um no seu quadrado.
Mas, juntos, formando algo que é maior do que qualquer individualidade.
E talvez seja isso que mais importa.