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Startup de SC é eleita Global Winner no South Summit Brazil 2026

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Foto: divulgação

Há algo de profundamente simbólico quando uma startup nascida no interior de Santa Catarina atravessa o mundo e volta com o maior reconhecimento possível.

Não apenas pelo troféu em si, mas pelo que ele representa. Maturidade de ecossistema, consistência de propósito e, principalmente, clareza sobre o que realmente importa.

Pra minha felicidade, e orgulho ainda maior, essa história vem da Serra Catarinense, de Lages, minha terra natal.

A Scienco Biotech fez exatamente isso ao conquistar o título de Global Winner no South Summit Brazil 2026, um dos maiores encontros de inovação do planeta, com mais de 2.378 startups participantes. Um feito que, nas palavras da própria CEO, carrega tanto surpresa quanto convicção.

“Foi uma surpresa enorme, mas também uma felicidade e um reconhecimento muito significativo. Ser escolhida como Global Winner nos deixou extremamente lisonjeados e reforçou que estamos no caminho certo”, afirma Maria de Lourdes Borba Magalhães.

Mas o que parece um salto internacional começa, na verdade, com raízes muito bem fincadas.

A história da empresa remonta a 2016, dentro do Centro de Ciências Agroveterinárias da UDESC, num momento em que o ecossistema de inovação catarinense ainda estruturava suas primeiras engrenagens. Não havia glamour. Havia edital, tentativa e, principalmente, construção.

“O primeiro edital que conhecemos foi o Sinapse da Inovação, que foi fundamental nesse processo. Foi através dele, com a iniciativa da FAPESC, que a empresa de fato surgiu”, relembra Maria.

Sem laboratório próprio, a Scienco nasceu na intersecção entre universidade, parque tecnológico e vontade de fazer acontecer. A parceria com o Orion Parque Tecnológico foi decisiva para transformar ideia em experimento e experimento em produto.

Ao longo dos anos, novos fomentos permitiram algo essencial. Autonomia. A criação do próprio laboratório dentro do parque tecnológico não foi apenas um avanço estrutural, foi um marco de independência científica.

E há um detalhe que diz muito sobre o DNA da empresa.

“Hoje, a empresa é composta por cinco colaboradoras, todas mulheres, além dos sócios. Isso reforça o protagonismo feminino dentro da ciência e do empreendedorismo.”

Programas como o Mulheres Mais Tech, da FAPESC, e reconhecimentos como o prêmio da FINEP ajudaram a viabilizar não só a estrutura, mas uma cultura onde ciência, diversidade e execução caminham juntas.

Em 2021, a criação da spin-off DairyTech, ao lado do professor Gustavo Felippe da Silva, marca uma inflexão clara. Sair da pesquisa e entrar definitivamente no jogo de mercado.

O resultado veio rápido.

Em 2022, nasce o MilkTest A2, uma tecnologia que resolve um problema complexo com uma simplicidade quase desconcertante.

Enquanto a identificação do leite A2 tradicionalmente depende de genotipagem, cara, demorada e inacessível para muitos produtores, o teste desenvolvido pela Scienco entrega o resultado em minutos, a partir de poucas gotas.

“Muitas vezes, a inovação está na simplicidade. Resolver uma dor real de mercado, de forma prática e acessível, pode gerar um impacto enorme tanto na saúde quanto na economia.”

Essa frase não é só reflexão. É estratégia.

A tecnologia não demorou a cruzar fronteiras. Hoje, a Scienco exporta para países como Nova Zelândia, Portugal, Coreia do Sul e Colômbia. Mercados exigentes, maduros e altamente competitivos.

Na Nova Zelândia, há um símbolo ainda mais forte. A parceria com a The A2 Milk Company, referência global no segmento.

Estar dentro da cadeia de um player que praticamente criou a categoria A2 não é apenas validação técnica. É chancela de mercado.

Apesar da expansão internacional, o olhar da empresa continua voltado para casa.

“Nosso grande sonho é tornar Santa Catarina o primeiro estado 100% A2 do Brasil, utilizando uma tecnologia desenvolvida dentro do próprio ecossistema de inovação catarinense.”

É aqui que a história ganha profundidade. Porque não se trata apenas de vender um produto, mas de transformar uma cadeia produtiva inteira. Do produtor à indústria. Da saúde ao consumo.

Ganhar o South Summit não é o ponto final. É um espelho.

Um reflexo de um ecossistema que funciona, de instituições como a UDESC que formam e conectam, e de uma região que começa a se consolidar como polo de geração de tecnologia aplicada.

E, talvez mais importante, um lembrete incômodo para muita gente no mercado.

Inovação não é, necessariamente, sobre complexidade.

Às vezes, é sobre enxergar o óbvio que ninguém resolveu ainda e ter coragem de fazer simples, bem feito e escalável.

A Scienco Biotech entendeu isso.

E o mundo, agora, também.

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publicitário, documentarista e fundador da POPS, agência que desenvolve conteúdos de identidade marcante para o ecossistema de inovação de Santa Catarina.

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