Esse foi um dado apresentado pela Gartner no 2025 GARTNER HR Symposium Employee Survey, o qual completa: 3% são detratores da IA e evitam a tecnologia; e os demais 3% são especialistas e obtêm valor com a IA de forma consistente.
Fatos que sustentam a dificuldade na geração de valor por meio da inteligência artificial nas organizações. Um em cada cinco projetos de IA alcança um ROI mensurável. E mais, um em cada cinquenta gera algum valor disruptivo.
Isso tudo para dizer o que já prevíamos: a implementação da IA e o incentivo ao uso diário não será o suficiente enquanto não houver um desenho estrutural que seja possível de absorvê-la.
Muito mais importante que incentivar o uso desenfreado de uma nova tecnologia, é saber como guiar essa exploração para que novas oportunidades promissoras sejam geradas.
Na última edição da Revista Você RH deste mês (Abril/2026), o assunto foi esse: a adoção pouco massiva do hype da inteligência artificial.
Mas a matéria traz uma orientação importante.
O CHRO deve trabalhar em parceria com a Diretoria de Tecnologia para ajudar os funcionários a identificar como adotar IA em seus fluxos de trabalho, criando diretrizes para cada função e conduzindo workshops de sensibilização adequados para a sustentação.
A própria Gartner aponta que, com orientação, 15% dos funcionários de uma empresa alcançam o status de especialistas.
Aqui na região de Blumenau, algumas empresas têm realizado movimentos de desligamentos em massa, impactando milhares de pessoas na cidade ou de outros estados. Não é certo dizer que a IA seja a pivô principal desses desligamentos, mas a premissa da eficiência operacional tem sido cada vez mais defendida.
Até porque, layoffs por causa da adoção de inteligência artificial estão longe de serem comuns. Menos de 1% das demissões no primeiro semestre de 2025 foram consequências direta da produtividade obtida com IA.
Por isso, projetos de redesign da estrutura, focando no planejamento dos talentos internos para identificar oportunidades de desenvolvimento para as pessoas, são fundamentais para evitar decisões precipitadas.
Em muitas organizações, o trabalho com inteligência artificial está sendo formulado sem uma coordenação clara entre os principais agentes internos ligados à essa transformação. Sem uma estratégia definida e o RH envolvido, as consequências podem ser nulas ou até negativas.
Entre outras situações, a redução de cargos de entrada, como os assistentes, são justificados pela adoção da IA, sem perceber que esse movimento pode impactar na sustentabilidade do número de talentos internos no longo prazo.
Ou seja: o terreno não é bem cultivado e as plantas que nascem não são capazes de gerar frutos para retroalimentar esse ciclo. Como o avanço tecnológico é mais rápido do que a produção de novos talentos, a contratação futura fica ainda mais difícil pois não foi dado a devida atenção internamente.
Por fim, a Gartner direciona os esforços das empresas da seguinte forma:
- Definição do combinado antes de escalar: Antes que os funcionários possam efetivamente aproveitar os benefícios de desempenho da IA, é crucial que os CHROs definam regras e sistemas claros no que diz respeito à ampliação do desempenho por meio da IA. Eles recisam colaborar com seus pares das áreas Jurídica e de Gestão de Riscos para criar diretrizes claras para o uso de IA, definir o uso ético, os limites de dados e os processos de aprovação para ferramentas de IA.
- Co-criar novos papeis internos: Ao decidir o que automatizar, os Diretores de Recursos Humanos (CHROs) devem trabalhar diretamente com os gestores para descobrir quais tarefas são mais adequadas para automação e colaborar com a equipe de TI para definir as possibilidades. Essas tarefas podem incluir a revisão da agregação de dados, a elaboração de avaliações de desempenho ou o fornecimento de feedback em tempo real aos funcionários sobre as entregas recentes aos clientes.
- Proximidade com L&D e HRBP: Os CHROs devem trabalhar em parceria com os líderes de Learning and Development (L&D) e HRBPs para auditar fluxos de trabalho, identificar oportunidades de melhoria rápida e cocriar a evolução das funções.
- Priorizar uma liderança orientada ao ser humano: os CHROs devem adotar uma abordagem centrada no ser humano, focando na identificação de onde a IA pode apoiar o elemento humano no trabalho. Isso pode incluir a escolha de IA que fortaleça as conexões humanas, como fornecer aos gestores insights para que possam orientá-los de forma mais eficaz, ou a criação de um grupo de trabalho com gestores que possam discutir dificuldades e compartilhar onde buscam suporte da IA.
A curadoria para trilhas específicas de desenvolvimento também foi uma conclusão.
Apenas 14% das organizações oferecem suporte estruturado aos gestores para integrar a inteligência artificial generativa (GenAI) ao trabalho, segundo pesquisa da Gartner realizada em agosto de 2025 com 114 líderes de RH.
Para mudar esse cenário, os CHROs podem desenvolver programas de letramento em IA que combinem aprendizado prático, orientações internas e troca de conhecimento entre pares.
Conduzidas por T&D e TI, essas iniciativas devem unir fluência digital a habilidades de liderança, com trilhas de integração específicas por função.
A visão da Gartner é de que a IA não substitui o gestor, mas reorienta seu papel: menos administração de informações e decisões, mais coordenação de insights e atenção às necessidades da equipe.
O ganho prático é uma gestão mais presente e menos operacional. Isso libera o gestor para se dedicar ao que realmente importa: as pessoas.