Quando foi questionada por Ana Maria Braga como aplicaria o dinheiro do prêmio, a vencedora do BBB 26, Ana Paula Renault, aproveitou a oportunidade para falar da importância da educação financeira e, com a firmeza que marcou sua trajetória no programa, respondeu: “A gente aprende a ler, a escrever, mas por que não falamos de dinheiro nas escolas?”
Você tem razão, Ana Paula. E os números confirmam isso.
Dois em cada três brasileiros têm dívidas financeiras, como empréstimos, segundo pesquisa divulgada em abril pelo Datafolha. A inadimplência no cartão de crédito parcelado foi citada por 29%, seguida por empréstimos em banco (26%) e carnês de lojas (25%).
Outro dado preocupante: a maioria dos brasileiros (55%) admite que entende pouco ou nada de educação financeira, segundo pesquisa da Febraban divulgada no ano passado com pessoas nas cinco regiões do país.
A questão agora, Ana Paula, é: como vamos resolver isso?
Tenho defendido há tempos – e aqui concordamos totalmente – a importância de incluir a educação financeira no currículo das escolas. Não necessariamente para formar especialistas em finanças, mas para preparar cidadãos mais conscientes sobre crédito, consumo e planejamento. Saber lidar com dinheiro não é luxo, é uma habilidade básica para viver com segurança e autonomia.
Mas é preciso que essa pauta deixe de ser apenas uma boa ideia e se transforme em uma força social e política capaz de sensibilizar nossos representantes em todas as esferas.
Enquanto isso não acontece, seguimos dependendo de bons exemplos isolados. E quem tem feito isso com consistência é o cooperativismo de crédito. Afinal, um dos princípios das cooperativas é melhorar a vida das comunidades onde estão presentes.
No caso da Unicred União, cooperativa onde atuo, nos últimos nove anos levamos atividades de educação financeira e culturais a 32.717 alunos de 259 escolas públicas de Santa Catarina e do Paraná. Isso é agir na prática.
Se não podemos esperar que a mudança venha apenas das políticas públicas, precisamos começar por nós mesmos a construir a sociedade que acreditamos. É exatamente dessa lógica que nasce o cooperativismo: pessoas que se organizam para transformar a realidade ao seu redor, sem esperar que alguém faça isso por elas.
E que não precisemos esperar um próximo Big Brother para encarar esse problema.