Santa Catarina encerrou o primeiro semestre com US$ 6,13 bilhões em exportações, alta de 4,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
O resultado foi sustentado por uma mudança importante na estratégia comercial da indústria catarinense, que ampliou sua presença em mercados como União Europeia, Japão, México, Paraguai e China, reduzindo parte da dependência das vendas aos Estados Unidos.
O movimento ocorre em um cenário marcado por mudanças no comércio internacional. Enquanto as tarifas impostas pelos americanos reduziram significativamente as exportações catarinenses para o país, a abertura de novos mercados permitiu que o estado mantivesse trajetória de crescimento e preservasse a competitividade de sua indústria.
Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), Gilberto Seleme, a capacidade de adaptação do setor produtivo foi determinante para o resultado:
“A reconfiguração dos nossos destinos comerciais demonstra a resiliência e a agilidade da indústria catarinense, que conseguiu expandir sua atuação em mercados estratégicos e compensar perdas expressivas com as vendas aos Estados Unidos”, afirma.
União Europeia lidera avanço das exportações
Os números mostram uma mudança no mapa das exportações catarinenses. A União Europeia passou a ser o principal destino das vendas externas do estado, registrando crescimento de 11,5%, impulsionado pelo avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia.
Também apresentaram expansão significativa as exportações para:
- Japão: +41,2%
- México: +15,2%
- Paraguai: +13,3%
- China: +10,4%
Na direção oposta, as vendas para os Estados Unidos caíram 31,3% no semestre, refletindo os efeitos das medidas tarifárias adotadas pelo governo norte-americano.
Proteína animal sustenta desempenho catarinense
A indústria de proteína animal voltou a liderar a pauta exportadora do estado. Os embarques de carne de frango alcançaram US$ 1,13 bilhão, impulsionados principalmente pela demanda da China, México, Chile, Coreia do Sul e Japão.
Já as exportações de carne suína somaram US$ 873,9 milhões, com destaque para o crescimento das vendas ao mercado japonês.
Enquanto o agronegócio ampliou sua presença internacional, setores tradicionais da indústria sofreram impactos mais intensos das restrições comerciais.
Indústria da madeira concentra perdas
O setor madeireiro foi o mais afetado pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. As exportações catarinenses de madeira para o mercado norte-americano caíram 40,8%, passando de US$ 316,6 milhões para US$ 187,5 milhões no primeiro semestre.
No total, as vendas catarinenses aos Estados Unidos somaram US$ 582,9 milhões entre janeiro e junho. Segundo o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, parte dos produtos que haviam sido impactados pelas tarifas adicionais começou a apresentar recuperação após março deste ano. No entanto, os itens enquadrados na Seção 232 continuam enfrentando dificuldades.
“Essa restrição reduziu praticamente pela metade o volume embarcado, passando de 22 mil para 11,7 mil toneladas, e ainda não apresenta sinais consistentes de recuperação, pressionando principalmente a economia da Serra e do Planalto Norte catarinense”, explica.
Importações avançam 7,9%
As importações catarinenses também cresceram no período. Entre janeiro e junho, o estado importou US$ 18,15 bilhões, alta de 7,9% sobre o primeiro semestre de 2025. A pauta foi liderada por insumos industriais e bens de capital.
Entre os principais destaques estão:
- cobre em formas brutas: US$ 819,5 milhões (+24,6%)
- pneus: US$ 496,5 milhões (+86,5%)
- partes para automóveis: US$ 533,1 milhões (+17,3%)
- automóveis de passageiros: US$ 416,3 milhões (+22,6%)
Perspectivas
Para a FIESC, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia deve continuar ampliando oportunidades para a indústria catarinense ao longo dos próximos meses.
Ao mesmo tempo, permanecem as incertezas relacionadas ao comércio com os Estados Unidos e à possibilidade de novas medidas tarifárias.
Segundo Pablo Bittencourt, a continuidade do crescimento dependerá da capacidade dos setores mais impactados ampliarem sua presença em novos mercados internacionais.
“A diversificação dos destinos das exportações passa a ser uma estratégia permanente para reduzir a exposição da indústria catarinense a choques externos e fortalecer sua competitividade internacional”, conclui.