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Região Sul soma 1,5 milhão de empresas inadimplentes e acumula R$ 51 bilhões em dívidas

Foto: Mohamed hamdi /Pexels

A inadimplência empresarial segue pressionando o ambiente de negócios na região Sul. Em maio, os três estados somaram 1.544.929 empresas negativadas, responsáveis por 14.318.992 dívidas, que totalizaram aproximadamente R$ 51 bilhões, de acordo com o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian.

O Paraná concentrou o maior número de empresas inadimplentes da região, com 593.565 CNPJs negativados. Na sequência aparecem o Rio Grande do Sul, com 522.521 empresas, e Santa Catarina, com 428.843.

Embora tenha registrado o menor número de empresas inadimplentes entre os estados do Sul, Santa Catarina apresentou o maior ticket médio por dívida da região, de R$ 3.740,28. Já o Rio Grande do Sul liderou no valor médio devido por empresa, com R$ 35.789,44.

Crédito restritivo dificulta recuperação financeira

O cenário regional acompanha a realidade observada em todo o país. Em maio, o Brasil manteve o maior patamar da série histórica, com mais de 9 milhões de empresas inadimplentes, que acumulavam R$ 229,9 bilhões em dívidas negativadas.

Na avaliação da economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o desafio vai além do elevado número de empresas negativadas.

“O dado chama atenção não apenas pela manutenção da inadimplência em um patamar recorde, mas também pelo avanço do volume financeiro das dívidas. Isso mostra que o desafio das empresas não está apenas em evitar a negativação, mas principalmente em conseguir reduzir o passivo acumulado. Em um contexto de crédito ainda restritivo, juros elevados e desaceleração da atividade econômica, muitas empresas enfrentam dificuldades para recompor caixa, administrar o capital de giro e recuperar sua capacidade financeira”, afirma.

Serviços concentram maior parte das empresas inadimplentes

Entre os setores econômicos, serviços respondeu por 55,6% das empresas inadimplentes em maio. Em seguida aparecem comércio (32,3%), indústria (8,1%) e o setor primário (0,9%).

De acordo com ela, além do ambiente de juros elevados, a desaceleração econômica passou a pressionar também a geração de receitas das empresas:

“Até recentemente, a principal pressão vinha da estrutura de custos e das condições de financiamento. Agora, começamos a observar também um ambiente menos favorável para a geração de receita. Isso ajuda a explicar por que o processo de regularização financeira continua lento e desafiador.”

Quando analisada a origem das dívidas, o setor de serviços também lidera, representando 31,5% do total. Na sequência aparecem bancos e cartões (19,5%), cooperativas (8,6%), utilities (6,9%) e telefonia (5,7%).

Pequenos negócios seguem mais vulneráveis

As micro e pequenas empresas continuam concentrando a maior parte da inadimplência empresarial brasileira. Em maio, 8,5 milhões de pequenos negócios estavam negativados, acumulando 59 milhões de dívidas, que somavam R$ 198,8 bilhões.

Em média, cada empresa possuía 6,9 contas em atraso, com dívida média de R$ 23.177,51 e ticket médio de R$ 3.369,41.

“O quadro das micro e pequenas empresas chama atenção porque estamos falando de negócios que, em média, acumulam quase sete pendências financeiras ao mesmo tempo. Muitas vezes, o valor individual de cada dívida pode não parecer elevado quando analisado isoladamente, mas o acúmulo desses compromissos representa uma pressão significativa sobre o caixa. Isso ajuda a explicar por que o processo de retorno à adimplência tem sido mais lento para esse grupo.”

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