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Influência se constrói na forma como uma empresa é reconhecida

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A influência de uma empresa pode aparecer em uma decisão que ela nem sequer acompanha: um cliente recomenda seu trabalho a outra pessoa, ou um profissional considera uma proposta de emprego depois de conversar com quem já faz parte da equipe. Essas opiniões circulam junto com as campanhas, as notícias e os conteúdos publicados pela organização, compondo a percepção que diferentes públicos têm sobre ela.

Na pesquisa O Poder da Influência, conduzida pela Nexus com 110 líderes empresariais e gestores de comunicação e apresentada no RepCom 2026, 95% dos entrevistados consideraram a influência importante para a estratégia de comunicação de suas empresas, enquanto 78% disseram acreditar que ela ganhará relevância nos próximos três anos. Os resultados mostram a percepção desse grupo sobre um tema que passou a ocupar mais espaço nas discussões empresariais.

Esse interesse pede uma definição cuidadosa do que cada empresa pretende alcançar. Um negócio pode desejar ser lembrado quando alguém precisa de um serviço, participar de debates sobre seu setor ou conquistar a confiança de uma região onde acaba de iniciar uma operação. Os objetivos variam, assim como as formas de avaliar seu avanço. O número de pessoas alcançadas por uma mensagem indica como ela circulou; para entender a percepção que permaneceu após o contato, é preciso observar também o que as pessoas dizem e fazem.

Em negócios que envolvem decisões de compra longas, a comunicação atua em vários momentos. Uma pessoa descobre a empresa, procura informações sobre sua trajetória e pede referências antes de assumir um compromisso, comparando o que encontrou ao que a organização afirma sobre si. Uma reportagem pode ajudar a situar um projeto, enquanto a experiência de um cliente oferece uma perspectiva diferente. Para quem está pesquisando, importa compreender os fatos, mesmo quando chega a eles por caminhos diferentes.

Isso exige que a empresa conheça e organize a própria história. Se cresceu e passou a atender novos mercados, precisa explicar a mudança; se anunciou um compromisso, deve oferecer informações que permitam acompanhar o que está fazendo. Seus profissionais também precisam saber quais dados podem apresentar e em quais assuntos conhecem o suficiente para comentar publicamente. Há trabalho de comunicação nesse processo, além de decisões de gestão que o irão sustentar.

A confiança acrescenta uma dificuldade a esse cenário. O Edelman Trust Barometer 2026, realizado em 28 países, mostrou que 70% dos entrevistados demonstraram hesitação ou resistência em confiar em pessoas que consideram diferentes de si. A pesquisa trata de relações sociais e não mede a reputação das empresas brasileiras, mas seu resultado ajuda a compreender por que uma mensagem recebida com facilidade por um grupo pode provocar dúvidas em outro.

Ao entrar em um novo território, uma organização leva sua trajetória e encontra pessoas com experiências e prioridades próprias. Conhecer esse contexto exige ouvir o que elas pensam sobre o projeto e explicar as decisões tomadas, sem presumir que uma apresentação institucional responderá a todas as preocupações. O diálogo também permite perceber consequências que talvez ainda não estivessem claras para quem planejou a operação.

Para uma empresa, influência significa ter seu trabalho reconhecido e contribuir para decisões e conversas relacionadas a ele. Campanhas podem ampliar sua presença, mas o reconhecimento que orienta uma recomendação, uma contratação ou uma parceria se desenvolve nas relações mantidas ao longo da trajetória do negócio.

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jornalista, especialista em gestão de comunicação e fundadora da Atrè Comunicação Personalizada.

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