Por Ana Paula Dahlke, sócia do Blumenpass.
O setor de bares e restaurantes deve encerrar o ano com R$ 540 bilhões em faturamento, segundo projeção da Abrasel. O valor representa crescimento de aproximadamente 9% sobre os R$ 495 bilhões movimentados no ano passado e dá continuidade à expansão observada nos últimos anos.
Os números mais recentes reforçam esse cenário. O Índice Abrasel-Stone de agosto apontou crescimento de 7,4% nas vendas na comparação com o mesmo período de 2025, completando 11 meses consecutivos de avanço anual.
Mais do que revelar a força de um dos maiores segmentos da economia brasileira, os dados ajudam a dimensionar um mercado que está mudando também na forma de atrair, conhecer e fidelizar consumidores.
Bares e restaurantes formam uma cadeia que reúne mais de 1,5 milhão de estabelecimentos, cerca de 2 milhões de empreendedores e aproximadamente 5 milhões de trabalhadores no Brasil, segundo dados divulgados pela Abrasel.
E o crescimento não aparece apenas nas projeções. Em julho, a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE registrou avanço de 5,4% no setor de alimentação, enquanto o conjunto dos serviços cresceu 0,9% no período.
A expansão demonstra a força do consumo fora do lar, mas não significa que o cenário seja confortável para todos os empresários.É nesse contexto que soluções como o Blumenpass, plataforma de benefícios e experiências gastronômicas de Blumenau e região, encontram espaço para crescer.
Faturamento cresce, mas margem continua sendo desafio
Apesar do avanço das vendas, somente 42% dos estabelecimentos operaram com lucro em julho, enquanto 20% registraram prejuízo, segundo a Pesquisa Nacional de Conjuntura Econômica da Abrasel. Em dezembro de 2025, 47% estavam operando com lucro.
Custos elevados, crédito mais caro e consumidores atentos aos preços colocam os empresários diante de uma equação complexa: aumentar o movimento sem comprometer ainda mais as margens. Esse cenário também ajuda a explicar por que estratégias relacionadas a aquisição, fidelização e recorrência de clientes estão ganhando relevância no food service.
Blumenpass já movimentou mais de R$ 750 mil para restaurantes
Em Blumenau e região, o Blumenpass aposta justamente nessa conexão entre benefício para o consumidor e geração de movimento para os estabelecimentos. Até o momento, foram registradas 9.411 experiências por meio da plataforma, que resultaram em R$ 776 mil em faturamento para os restaurantes parceiros.
Do outro lado da relação, os assinantes acumularam R$ 513 mil em economia ao utilizar os benefícios. Os números equivalem a aproximadamente R$ 79,79 de faturamento para os restaurantes por experiência utilizada, enquanto a economia média proporcionada ao consumidor ficou em torno de R$ 52,90 por experiência.
Outra maneira de observar essa relação é que, para cada R$ 1 de economia proporcionada aos assinantes, aproximadamente R$ 1,51 foi faturado pelos estabelecimentos dentro das transações contabilizadas pela plataforma.
Benefício como ferramenta de aquisição
Em um setor no qual apenas aumentar preços pode afastar consumidores, benefícios podem assumir outra função: diminuir a barreira para experimentar um novo estabelecimento.
A proposta do Blumenpass parte dessa dinâmica. O consumidor encontra uma vantagem financeira para conhecer restaurantes e experiências; o estabelecimento recebe um cliente que talvez não chegasse até o negócio naquele momento sem esse incentivo.
A partir daí, a qualidade da experiência passa a determinar a próxima etapa da relação. Se o consumidor gosta do restaurante, existe a possibilidade de retorno, indicação e recorrência. Dessa forma, o benefício deixa de ser analisado exclusivamente como desconto e passa a funcionar também como investimento em aquisição e descoberta.
Tecnologia entra na disputa pela recorrência
Para os estabelecimentos, portanto, a próxima fronteira não está apenas em vender mais. Está em compreender quem são seus clientes, como eles descobrem o negócio, o que os leva até o estabelecimento e o que faz com que retornem. É justamente nessa interseção que plataformas de benefícios podem assumir um papel maior.
Além de conectar consumidores e estabelecimentos, o histórico de utilização começa a produzir informações sobre o comportamento gastronômico local: quantidade de experiências, economia gerada, faturamento movimentado, categorias procuradas, dias e horários de utilização e recorrência.
Em um setor bilionário que continua crescendo, mas ainda convive com margens pressionadas, conhecer melhor o consumidor pode ser tão importante quanto levá-lo pela primeira vez até a mesa.
O desafio para bares e restaurantes em 2026, portanto, talvez não seja apenas participar do crescimento projetado para o setor. É conseguir transformar esse crescimento em clientes recorrentes, relacionamento e rentabilidade.