Empresas familiares possuem forte presença na economia de Santa Catarina. Da indústria ao comércio e aos serviços, muitos negócios catarinenses nasceram a partir de pequenos empreendimentos familiares que cresceram, reinvestiram seus resultados e permaneceram ligados às cidades onde foram criados.
Essa característica aparece com força especialmente na indústria. Em publicação de 2025, a FIESC destacou que as famílias empresárias ajudaram a construir um dos parques industriais mais diversificados do país e continuam exercendo papel importante no desenvolvimento econômico catarinense.
A força começou nas próprias regiões
Uma das explicações está no modelo de desenvolvimento de Santa Catarina. Diferentemente de economias fortemente concentradas em uma grande metrópole, o estado desenvolveu diferentes polos empresariais.
Joinville, Blumenau, Jaraguá do Sul, Brusque, Chapecó, Criciúma e outras cidades viram empresas locais crescerem e se transformarem em negócios de maior porte.
Muitas permaneceram próximas às comunidades de origem mesmo depois de ampliarem sua atuação para outros mercados.
Reinvestimento ajudou empresas a crescer
Outra característica destacada pela FIESC é a cultura de reinvestimento no próprio negócio. Em muitas empresas familiares catarinenses, parte dos resultados foi direcionada durante décadas para:
- novas fábricas
- máquinas e equipamentos
- expansão da produção
- desenvolvimento de produtos
- tecnologia
- entrada em novos mercados
Esse movimento ajudou negócios originalmente locais a ganhar escala e, em alguns casos, presença nacional e internacional.
A força desse modelo também está inserida em uma indústria que encerrou 2025 respondendo por 92,9% das exportações catarinenses, segundo relatório da FIESC divulgado em 2026.
O desafio agora é atravessar gerações
Se a origem familiar ajudou a construir parte importante da economia catarinense, a continuidade dessas empresas traz um novo desafio: a sucessão.
Trocar uma geração de liderança por outra envolve muito mais do que escolher quem ocupará a principal cadeira. É necessário discutir:
- governança
- profissionalização da gestão
- preparação dos sucessores
- divisão entre família e empresa
- responsabilidades
- inovação
- estratégia de longo prazo
O tema ganhou relevância suficiente para que a FIESC desenvolvesse iniciativas específicas voltadas à preparação de famílias empresárias.
O Economia SC também mostrou em 2026 que empresas familiares enfrentam o desafio da sucessão, especialmente quando conhecimento e decisões permanecem excessivamente concentrados no fundador.
Tradição precisa conviver com inovação
O próximo desafio das empresas familiares catarinenses não é apenas preservar aquilo que funcionou no passado.
É conseguir combinar legado com transformação. Digitalização, inteligência artificial, mudanças no mercado de trabalho, novas gerações de consumidores e competição internacional estão alterando a maneira como empresas operam.
Para muitos negócios familiares de Santa Catarina, portanto, o desafio dos próximos anos será justamente este: preservar a identidade construída ao longo das gerações sem deixar de transformar a empresa para continuar competitiva.