Pesquisar

Por que marcas próprias estão ganhando espaço no varejo brasileiro?

Mathias Reding/Pexels

Durante muito tempo, produtos de marca própria foram associados principalmente a alternativas mais baratas nas prateleiras. Esse cenário mudou.

Supermercados, farmácias, marketplaces e grandes redes de varejo passaram a investir em produtos desenvolvidos exclusivamente para suas próprias marcas, transformando essa estratégia em uma ferramenta para aumentar diferenciação, fidelização e rentabilidade.

O movimento acompanha uma mudança no comportamento do consumidor: preço continua importante, mas qualidade, conveniência e percepção de valor também passaram a pesar na escolha.

O que é uma marca própria?

Marca própria é aquela criada ou controlada por um varejista e comercializada principalmente dentro de seus próprios canais.

O produto não precisa necessariamente ser fabricado pela rede. Na maioria dos casos, fornecedores especializados produzem os itens de acordo com características, padrões e posicionamento definidos pelo varejista.

A estratégia pode aparecer em diferentes setores:

  • supermercados
  • farmácias
  • moda
  • cosméticos
  • alimentos e bebidas
  • produtos para casa
  • eletrônicos e acessórios
  • marketplaces

Com isso, o varejista deixa de atuar somente como distribuidor de marcas de terceiros e passa também a construir seu próprio portfólio.

Marcas próprias crescem no Brasil

O mercado brasileiro ainda possui espaço para avançar quando comparado a mercados mais maduros, mas o crescimento já aparece nos números.

Dados divulgados pela NielsenIQ apontaram que as vendas de marcas próprias no Brasil movimentaram cerca de R$ 18 bilhões em 2025, considerando diferentes canais do varejo.

O avanço acompanha a busca dos consumidores por melhor relação entre preço e qualidade e o interesse das redes em criar produtos exclusivos.

Isso também ajuda a explicar por que grandes varejistas passaram a tratar suas marcas próprias como uma estratégia de posicionamento, e não apenas como uma opção de baixo preço.

Por que o varejo investe nessa estratégia?

Um dos principais benefícios é a diferenciação. Quando uma rede vende exatamente os mesmos produtos encontrados nos concorrentes, boa parte da disputa acontece por preço, localização e conveniência.

Com uma marca própria, o produto pode ser exclusivo daquele varejista. Isso cria novas possibilidades:

  • diferenciação da concorrência
  • maior controle sobre o portfólio
  • desenvolvimento de produtos exclusivos
  • fortalecimento da marca do varejista
  • fidelização de consumidores
  • negociação direta com fabricantes
  • possibilidade de trabalhar diferentes faixas de preço

A estratégia também pode ajudar empresas a preencher lacunas dentro de determinadas categorias.

Preço não é mais o único argumento

Outro movimento importante é a mudança no posicionamento das marcas próprias. Elas não precisam competir apenas como produtos mais baratos.

Varejistas podem criar linhas premium, saudáveis, sustentáveis, funcionais ou direcionadas a públicos específicos. Isso permite atender consumidores que buscam características diferentes dentro da mesma categoria.

O Economia SP já mostrou como as mudanças no comportamento do consumidor estão obrigando empresas a rever estratégias de marca e relacionamento.

Nesse cenário, conhecer profundamente quem compra pode se transformar em uma vantagem importante para o varejista.

Dados ajudam a decidir quais produtos lançar

Grandes redes possuem uma informação estratégica: sabem o que seus consumidores compram. Dados de vendas permitem identificar categorias com maior demanda, faixas de preço, frequência de compra e produtos que costumam aparecer juntos no carrinho.

Essas informações podem orientar o desenvolvimento de marcas próprias. Em vez de lançar um produto apenas com base em percepção, o varejista pode utilizar seu histórico de vendas para identificar oportunidades.

Essa combinação entre varejo, dados e tecnologia também aparece em outras estratégias empresariais. O Economia SC vem mostrando como dados e inteligência artificial entraram definitivamente na pauta dos CEOs e nas decisões das empresas.

Estratégia também cria oportunidades para a indústria

O crescimento das marcas próprias não beneficia apenas os varejistas. Existe um mercado de fabricantes que produzem para terceiros.

Uma indústria pode utilizar sua capacidade produtiva para desenvolver produtos que serão vendidos com a marca de supermercados, farmácias ou outras redes.

Para fabricantes, esse modelo pode representar aumento de escala e acesso a grandes canais de distribuição. Ao mesmo tempo, exige capacidade de produção, qualidade, logística e cumprimento dos padrões estabelecidos pelo contratante.

O Economia PR já destacou como indústria e varejo estão buscando eficiência e novas estratégias para responder às mudanças do mercado.

Marca própria também envolve riscos

A estratégia não garante sucesso automaticamente. Quando o nome do varejista está associado ao produto, problemas de qualidade podem afetar diretamente a reputação da própria rede.

Por isso, gestão de fornecedores, controle de qualidade, logística, posicionamento e atendimento ao consumidor precisam acompanhar o crescimento do portfólio.

Também é necessário evitar um excesso de produtos que torne a operação mais complexa sem gerar vendas suficientes.

Varejo deixa de vender apenas produtos e passa a construir marcas

O avanço das marcas próprias mostra uma transformação maior no varejo. Empresas que antes atuavam principalmente como intermediárias entre fabricantes e consumidores estão desenvolvendo produtos, construindo marcas e utilizando dados para identificar oportunidades.

Isso aumenta a competição não apenas entre varejistas, mas também entre marcas tradicionais e marcas controladas pelas próprias redes.

Para o consumidor, significa mais opções. Para as empresas, significa que a disputa pela preferência do cliente começa cada vez mais antes da prateleira: passa pela capacidade de entender comportamento, desenvolver produtos e construir uma marca capaz de gerar confiança.

Compartilhe

Tudo sobre economia, negócios, inovação, carreiras e ESG em Santa Catarina.

Leia também