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IA, dados e confiança: o novo tripé da transformação financeira

Foto: divulgação

Por Jorge Iglesias, CEO da Topaz.

Nos últimos anos, o mercado financeiro vive uma revolução silenciosa e profundamente tecnológica. A inteligência artificial (IA), antes restrita a laboratórios e protótipos, passou a ocupar posições estratégicas dentro das instituições financeiras, moldando não apenas produtos e serviços, mas a própria forma de atender e compreender o cliente.

Para 2026, as tendências não trazem necessariamente rupturas radicais, mas sim a intensificação de movimentos que já vinham se consolidando: eficiência operacional, inovação aplicada, agentes autônomos e segurança de dados. O grande diferencial será a maturidade com que essas forças serão exploradas.

1. Eficiência como mantra

A busca por eficiência continua sendo o motor das decisões estratégicas no setor financeiro. Bancos digitais seguem ganhando espaço, e não apenas pela conveniência de seus aplicativos, mas pela arquitetura tecnológica que os sustenta. Sem os legados de sistemas antigos e com infraestrutura em nuvem e microserviços, essas instituições conseguem reduzir drasticamente o “custo de servir” seus clientes.

Os grandes bancos, por sua vez, seguem em jornadas de modernização que envolvem migração para nuvem, modularização de plataformas e automação de processos. A nuvem híbrida desponta como tendência forte após recentes incidentes com grandes provedores globais: diversificar infraestruturas tornou-se sinônimo de resiliência.

2. A ascensão dos agentes autônomos

Se 2023 e 2024 foram os anos da popularização da IA generativa, 2025 marcou a virada para a IA baseada em agentes, softwares que simulam o raciocínio e a tomada de decisão humana em tarefas específicas. Para 2026, veremos esses agentes se espalharem por toda a cadeia financeira.

Eles atenderão clientes, recomendarão investimentos, processarão créditos e farão análises de risco em tempo real. Um gerente de conta personalizado, porém digital e incansável. Isso mudará o papel humano dentro das instituições: funções repetitivas e padronizadas darão lugar a atividades mais analíticas e estratégicas.

Mas essa automação traz um novo desafio: garantir que esses agentes sejam empáticos e éticos. A IA que simplesmente responde comandos está ficando obsoleta. O futuro é da IA que compreende emoções, identifica contextos e adapta o discurso ao estado emocional do cliente. É o início da IA empática, capaz de entender quando é hora de oferecer um produto, e quando é hora apenas de ouvir.

3. Inovação aplicada, não teórica

Depois de anos de hype, o setor financeiro começa a aplicar IA de maneira mais pragmática. Já não se trata de “ter” inteligência artificial, mas de transformar o negócio para que ela gere valor real.

No crédito, por exemplo, os bancos passam a operar com múltiplos algoritmos em vez de um modelo único, aproveitando dados do Open Finance para personalizar ofertas e aumentar a assertividade das análises. A velocidade e a precisão das decisões de crédito tendem a subir de forma exponencial.

Esse movimento também traz um novo olhar para os dados: não basta coletá-los, é preciso tratá-los com consciência.

4. O dado no centro da discussão e da ética

O uso massivo de dados transformou a IA no ativo mais poderoso das instituições financeiras. Mas também no mais delicado. Apesar dos avanços trazidos pela LGPD, há um consenso de que a proteção de dados foi banalizada: informações sensíveis continuam sendo manipuladas de forma irresponsável, muitas vezes sem consentimento claro dos usuários.

A tendência agora é devolver o poder ao cidadão. Iniciativas que centralizam os dados na mão do próprio indivíduo, por meio de carteiras digitais seguras, começam a ganhar força. O cliente passa a decidir quem acessa suas informações e quando, criando uma camada de confiança no ecossistema financeiro.

5. Segurança e combate ao crime digital: o novo front

Nenhuma tendência se sustenta sem segurança. O cibercrime deixou de ser um hobby de hackers isolados e se tornou um negócio organizado, profissional e bilionário. Hoje, as instituições não combatem mais indivíduos, mas estruturas criminosas globais com recursos comparáveis aos das próprias empresas de tecnologia.

A consequência é clara: o foco da segurança deixa de ser apenas a infraestrutura e passa a incluir as pessoas. Funcionários de TI tornaram-se novos alvos de coação — um cenário que exige políticas robustas de compliance, monitoramento e cultura ética.

Além disso, o setor financeiro precisa repensar sua dependência de provedores únicos e de meios de pagamento centralizados, como o Pix. A concentração em uma só trilha tecnológica cria riscos sistêmicos que desafiam a resiliência das instituições e do próprio sistema financeiro nacional.

6. E o que vem depois?

Apesar da pausa no projeto Drex e da cautela com criptoativos, o Brasil segue como um dos ambientes mais férteis para inovação financeira no mundo. O foco, agora, é menos em novidades futuristas e mais em aperfeiçoar o que já está em andamento.

Nos próximos anos, o diferencial competitivo estará em quem souber equilibrar três forças: Eficiência, reduzindo custos e acelerando processos; Empatia, criando experiências humanas mesmo em canais digitais; e Segurança, blindando dados, sistemas e pessoas.

Não se trata apenas de usar tecnologia, mas de usar bem.

E esse talvez seja o verdadeiro ponto de virada de 2026: quando a inteligência artificial deixar de ser uma promessa e se tornar uma inteligência realmente consciente, dos negócios, das pessoas e do impacto que gera no mundo.

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