Por Ricardo Melo, VP of Growth & Product na HostGator Latam.
A inteligência artificial deixou de ser promessa e já é realidade no dia a dia das empresas brasileiras. Nos últimos três anos, um dos movimentos mais marcantes no setor de tecnologia foi a mudança no perfil das contratações. Se antes o foco estava em profissionais altamente técnicos para execução de código ou manutenção de sistemas, hoje a prioridade é encontrar especialistas em IA capazes de criar produtos, automatizar processos e conduzir equipes na adoção dessa tecnologia.
Esse fenômeno é comprovado por números. O estudo Barômetro Global de Empregos em IA 2025, da PwC, aponta que o volume de vagas exigindo conhecimento em inteligência artificial no Brasil quadruplicou entre 2021 e 2024, saltando de cerca de 19 mil para mais de 73 mil oportunidades. Avalio que grande parte dessas posições não busca apenas familiaridade básica, mas experiência prática: empresas querem profissionais que já tenham atuado em projetos de machine learning, vibe coding, automações ou desenvolvimento de produtos com IA e uma visão estratégica de negócios baseada em inteligência artificial.
Na HostGator, por exemplo, escolhemos investir na contratação de profissionais com esse perfil para que fôssemos capazes de executar uma virada de chave sólida e organizada na empresa. Durante a reestruturação que marcou os últimos meses, priorizamos a contratação de talentos com experiência prática em projetos de inteligência artificial, desde o desenvolvimento de soluções, chatbots e agentes do zero até integrações com as IAs generativas mais assertivas do mercado. Essa estratégia acelerou o lançamento de ferramentas como os Agentes de IA integrados à solução de hospedagem de sites, o Criador de Sites com IA e o servidor VPS com n8n auto-hospedado. Mais do que viabilizar novos produtos, esses profissionais se tornaram peças-chave para estabelecer novos processos internos, disseminar conhecimento para outras áreas da empresa e estimular o uso de soluções de IA e vibe coding em diferentes frentes.
O movimento não é isolado. Setores variados, do varejo à saúde, já tratam a especialização em IA como critério central de seleção. A lógica é clara: não basta adotar ferramentas sofisticadas se não houver dentro da empresa quem saiba interpretar, ajustar e expandir seu potencial. Sem esse conhecimento estratégico, a curva de aprendizado se torna lenta e custosa, além de aumentar a dependência de consultorias externas.
Há ainda outro aspecto que reforça a importância desses profissionais: a qualidade dos dados. O estudo global Avanade Trendlines: AI Value Report 2025 mostrou que 69% das organizações brasileiras consideram a má gestão de dados um dos maiores obstáculos para avançar em IA. Isso evidencia um ponto crítico: o valor da IA depende diretamente da confiabilidade das informações que a alimentam. É preciso garantir que os bancos contenham dados reais, atualizados e validados, e que haja processos contínuos de checagem e correção, já que respostas incorretas não revisadas comprometem o aprendizado do modelo. Por isso, além de dominar algoritmos, os especialistas precisam ter uma visão ampla de governança, integração de sistemas e validação dos resultados, assegurando que o retorno da IA seja não apenas rápido, mas também preciso e confiável.
O que se vê hoje é que esses talentos ocupam um papel duplo: impulsionam inovação em produtos e serviços, mas também funcionam como multiplicadores internos de conhecimento. São eles que estruturam metodologias, orientam equipes e criam uma cultura de aprendizado contínuo, e por isso são tão buscados. Nesse sentido, o fator humano é o que garante que a inteligência artificial não fique restrita a iniciativas pontuais, mas se transforme em diferencial competitivo duradouro.