Pesquisar

Ser ponte, expandir fronteiras: como 2025 consolidou o papel global da ACATE

Compartilhe

Foto: divulgação

Em maio de 2025, escrevi um artigo que carregava o título de uma convicção: Ser ponte para o mundo, frase emprestada do livro Ponte Para o Mundo, escrito pelo empreendedor Daniel Leipnitz e o jornalista Rodrigo Lóssio.  À época, falávamos do novo salto estratégico da ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia), projetado em nosso planejamento institucional. Apontamos ali a necessidade de preparar o ecossistema catarinense para dialogar com o mundo, romper limites de mercado e atuação, e fortalecer nossas raízes nos territórios catarinenses. Agora, olhando para os resultados de 2025, posso afirmar: isso não só começou como já nos reposiciona.

A ACATE viveu em 2025 um de seus anos mais intensos e estratégicos. Consolidamos a atuação internacional da entidade, com missões ao redor de todo o mundo, parcerias firmadas com hubs de inovação globais e reconhecimento internacional. Em dezembro, em Paris, fomos premiados como Startup Ecosystem Star 2025, na categoria Best-in-class Startup Programs pela ICC – International Chamber of Commerce, uma das organizações internacionais mais antigas e respeitadas do mundo. Uma conquista que um ecossistema que decidiu sonhar grande e executar com consistência.

Entre as ações concretas, realizamos uma imersão internacional com 20 empresas catarinenses no Canadá, por meio do programa ACATE Global Gateway, em parceria com a Fapesc. Participamos de agendas estratégicas em países como Japão, China, Catar, Portugal, EUA, Espanha e Emirados Árabes Unidos. Em Barcelona, firmamos uma nova parceria que nos conecta ao ecossistema catalão, abrindo oportunidades tanto para empresas catarinenses na Europa quanto para europeias que querem acessar o mercado brasileiro.

Outro avanço estratégico de 2025 foi a consolidação da figura dos Embaixadores ACATE. São empreendedores associados que vivem no exterior ou passam boa parte do tempo em outros países em função da atuação internacional de suas empresas e que passaram a atuar como pontos de conexão do ecossistema catarinense com mercados globais. Atualmente, contamos com embaixadores nos Estados Unidos, na Alemanha e na Itália, fortalecendo nossa presença institucional e ampliando oportunidades de relacionamento, negócios e aprendizado para as empresas associadas. Essa rede funciona como uma extensão da ACATE no exterior, criando pontes permanentes com hubs de inovação, investidores e parceiros estratégicos.

E, como dissemos antes, internacionalizar não é sair do estado — é trazer o mundo para Santa Catarina. Por isso, seguimos firmes em nosso compromisso com a descentralização e a estadualização da inovação. São 1.868 empresas associadas, 42,8% delas sediadas fora da Grande Florianópolis e 862 aderidas aos programas da entidade em todas as regiões catarinenses, por meio dos outros 7 Polos Regionais ACATE. Crescemos em capilaridade, mas principalmente em conexão com os territórios.

Essas conexões geram resultados. Em 2025, realizamos mais de 80 eventos presenciais que reuniram milhares de pessoas. Só o Startup Summit, um dos maiores encontros do setor no país, reuniu 10 mil participantes presenciais, 24 mil online, 150 expositores e movimentou R$350 milhões em intenção de investimento, além de contar com a participação de 20 delegações internacionais.

Na frente de negócios, as Verticais da ACATE proporcionaram 1.528 oportunidades, com 268 transações concretizadas. Mesmo em um ambiente macroeconômico ainda desafiador, os números seguem consistentes, mostrando um ecossistema maduro, focado em geração de valor e colaboração.

Também em 2025, o Fundo Garantidor ACATE (FGA) beneficiou 48 empresas associadas, das quais 42 acessaram juntas R$ 7.238.675,58 por meio do Pronampe Inovação, iniciativa da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI) operacionalizada pelo Badesc desde abril do ano passado. A linha tem se consolidado como um importante instrumento de fomento ao setor de tecnologia em Santa Catarina, no qual o Governo do Estado subsidia 50% dos juros para empreendedores que mantêm os pagamentos em dia. Para efeito de comparação, em 2024 o FGA beneficiou 21 empresas, considerando operações do Pronampe SC, outra linha de crédito estadual.

A formação de talentos se mantém como eixo central da nossa atuação. Foram 13 mil pessoas impactadas por projetos educacionais em 2025, num salto de 44% em relação ao ano anterior. Superamos 57 mil talentos formados desde 2021. Além disso, tivemos participação ativa na construção e lançamento do SCTEC, programa do Governo do Estado com investimento de R$ 23 milhões para qualificar mais de 155 mil pessoas em tecnologia.

Também demos novos passos no apoio à escalada das empresas. Lançamos o ACATE 1bi, programa exclusivo para companhias que já superaram a marca de R$30 milhões em faturamento e que agora buscam crescer para patamares de R$100 milhões, R$500 milhões ou até R$1 bilhão. Um espaço para inspirar e apoiar empresas em estágio avançado de maturidade, com foco em crescimento exponencial.

No LinkLab, 405 desafios foram lançados por 23 grandes empresas e registradas mais de 100 interações de inovação aberta. Já a Rede MIDIHUB encerrou o ano com 94 startups incubadas, somando R$41 milhões em faturamento e R$11 milhões captados em recursos.

O Observatório ACATE 2025 trouxe dados que nos ajudam a olhar para o futuro com clareza. O setor de tecnologia em Santa Catarina fechou 2024 com R$42,5 bilhões em faturamento, crescimento de 40% em cinco anos. O estado ultrapassou o Rio Grande do Sul e consolidou-se como o quinto maior polo do país. A projeção é que a tecnologia represente 10% do PIB catarinense até 2030, com 7,75% já alcançados até 2024.

Esses resultados são fruto de uma construção coletiva. Empresas, lideranças, universidades, setor público, investidores e organizações, todos com papel fundamental nessa jornada. Como afirmei em maio do ano passado, nenhuma transformação acontece de forma isolada. E nenhuma ponte se sustenta sem propósito.

Olhando para 2026, quando a ACATE completa 40 anos, sigo convencido de que esse é o caminho certo: mais conexão com o mundo, mais presença nos territórios, mais consistência na entrega de valor. E, acima de tudo, mais ambição compartilhada para fazer da inovação uma força econômica e social real, concreta e transformadora em Santa Catarina.

Compartilhe

Presidente da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE).

Leia também