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Os resultados invisíveis do ESG

Foto: divulgação

Recentemente, retornei a alguns clientes para uma visita in loco, com o objetivo de verificar o andamento dos processos ESG, sentir a cultura organizacional e analisar quais ajustes precisavam ser realizados.

Dois desses clientes me fizeram refletir sobre os resultados “invisíveis” da implementação do ESG. Sim, invisíveis. Como disse um dos diretores: “era algo claro, já sentíamos a necessidade, mas estávamos tão acostumados ao modo anterior que não nos movimentamos para a ação óbvia”.

Deixe-me contextualizar melhor. Implementar ESG não é fazer a empresa e seus colaboradores “vestirem a camisa da sustentabilidade” no sentido superficial, como a ideia comum de simplesmente “abraçar árvores”.

ESG é, no E (ambiental), olhar para temas como gestão hídrica e energética, destinação correta de resíduos, uso eficiente de recursos naturais e mensuração de emissões de GEE, entre outras ações. Melhorar a gestão significa ter processos claros, bem definidos e acessíveis a todos os colaboradores: o que fazer, quando fazer, como fazer e qual o impacto de cada ação. Além disso, envolve conscientização.

No S (social), temos o olhar para dentro e para fora da organização. Internamente, significa garantir que o colaborador tenha seus direitos respeitados, comunicação clara, ambiente seguro e adequado de trabalho. O básico bem feito: estrutura adequada, condições dignas, organização e clareza nas funções. E, sempre que possível, ir além do básico. Também envolve escuta ativa, orientação clara e acesso a benefícios. Já o social para fora está relacionado à atuação estratégica da empresa na comunidade.

O G (governança) diz respeito à estrutura organizacional. Envolve ter um organograma claro, indicadores para tomada de decisão, processos de compliance estruturados, gestão de riscos, conformidade com leis (como LGPD), relatórios confiáveis e transparência adequada com os stakeholders.

Percebe? Não é sobre “abraçar árvores”. É sobre estruturar processos, dar clareza e direcionamento para cuidar do meio ambiente, das pessoas e da governança, gerando crescimento e valor para a organização.

No entanto, nada disso acontece do dia para a noite. Um CEO não implementa ESG em um dia e, no outro, toda a empresa já tem clareza e executa tudo corretamente. É um processo por etapas, uma trajetória de evolução.

Muitas das práticas exigidas pelo ESG já são conhecidas, seja por legislação, seja por fazerem parte da cultura dos gestores. Mas ainda não estão formalizadas, documentadas ou estruturadas para facilitar replicação e monitoramento.

E é exatamente aqui que surgem os resultados invisíveis.

Por exemplo: incentivar o colaborador a se desenvolver pode parecer algo óbvio para a liderança. Mas, para quem está na ponta, isso está claro? Existe um direcionamento formal sobre capacitação? Há clareza sobre apoio, expectativas e retornos? Ou tudo está apenas no campo da informalidade?

Mesmo em empresas pequenas, com boa comunicação interna, isso pode não ser suficiente (especialmente se o objetivo for crescer).

Quando iniciamos a implementação do ESG e provocamos a criação de processos, políticas e manuais, muitas dessas ações parecem básicas e sem impacto visível imediato. Mas fazem, sim, diferença. São mudanças estruturais, muitas vezes não mensuráveis no início, mas fundamentais.

Por isso, em empresas com menor nível de maturidade, é comum não perceber grandes mudanças logo no início da implementação do ESG. Mas os resultados existem. São os alicerces sendo construídos para que, no futuro, resultados mais visíveis e mensuráveis apareçam.

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CEO e fundadora da Eco.InPact, especialista em governança e ESG, com ampla experiência em consultoria voltada para planejamento estratégico, gestão de riscos e ESG em organizações públicas e privadas.

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