A Uber acaba de anunciar uma novidade que vai além do transporte: agora é possível reservar hotéis diretamente pelo aplicativo. A funcionalidade foi apresentada em um evento em Nova York e já está disponível para usuários nos Estados Unidos. Para o resto do mundo, por ora, é questão de acompanhar.
A parceria é com o Expedia Group, um dos maiores agregadores de hospedagem do planeta, o que garante acesso a mais de 700 mil opções de hotéis em destinos pelo mundo inteiro. E não para por aí: a empresa confirmou que imóveis da Vrbo, plataforma de aluguel por temporada do mesmo grupo, também devem ser integrados ao app ainda em 2025.
Na prática, o que isso significa para quem viaja? A ideia é simples: em vez de abrir três ou quatro aplicativos diferentes para organizar uma viagem, o usuário resolve tudo em um só lugar. Chama o carro, reserva o hotel, pede o jantar. Tudo dentro do ecossistema Uber. O viajante de hoje tem pressa e detesta fricção. Quer resolver a vida em poucos cliques. Ao integrar o trajeto do aeroporto à porta do hotel em uma única interface, a Uber está vendendo tempo.
O CEO da empresa, Dara Khosrowshahi, foi direto no evento de lançamento: a Uber quer deixar de ser vista apenas como um app de transporte. A ambição é ocupar um espaço maior na rotina de quem viaja, funcionando como uma central de serviços para toda a jornada.
Para tornar a proposta mais atraente, a empresa oferece descontos para assinantes do Uber One, o programa de fidelidade da plataforma, além de créditos que podem ser usados dentro do próprio app. É uma forma de manter o usuário dentro do ambiente Uber e, ao mesmo tempo, incentivar quem ainda não assina o plano a considerar a adesão.
Para o setor hoteleiro, a novidade merece atenção. A Uber não é uma OTA tradicional, mas entra no jogo de distribuição com uma base de usuários enorme e um aplicativo que já faz parte do dia a dia de milhões de pessoas. Booking e Airbnb dominam esse espaço há anos. Agora têm mais um concorrente, e não é pequeno.
Mas há um limite claro no que qualquer plataforma consegue entregar. O aplicativo pode fazer a reserva, confirmar o quarto, processar o pagamento. O que ele não faz é o atendimento na chegada, a curadoria do café da manhã, o detalhe que transforma uma estadia em uma memória. A tecnologia resolve a logística. A hospitalidade real continua sendo feita de pessoas para pessoas.
O modelo ainda está nos Estados Unidos, mas a Uber opera em mais de 70 países. Se a funcionalidade se consolidar, a expansão global é questão de tempo. Para o Brasil, um dos maiores mercados da empresa no mundo, vale ficar de olho.
E para os hoteleiros, a lição já está dada: se o processo de compra está se tornando cada vez mais automático, o serviço precisa ser cada vez mais humano.