A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) lança no dia 21 de maio, a primeira Escola do Clima de Santa Catarina.
A iniciativa marca o início de um movimento estratégico voltado à consolidação da educação ambiental e climática como agenda prioritária no estado.
O lançamento acontece a partir das 14h, no Auditório 2 e foyer do Bloco 7, no campus de Balneário Camboriú da instituição.
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site. São esperados 400 educadores e representantes institucionais.
O projeto é voltado para professores do Ensino Médio da rede pública e integra um movimento orientado para a construção de uma agenda formativa alinhada às demandas já mapeadas em diferentes municípios catarinenses.
A Escola do Clima é uma parceria entre a Univali e a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Santa Catarina.
A articulação busca estruturar formação docente, produção científica aplicada e incidência em políticas públicas diante de emergências climáticas no estado.
“A proposta mobiliza professores da Educação Básica, pesquisadores e gestores públicos em um modelo que conecta diagnóstico local, validação científica e implementação de soluções com participação comunitária”, explica a coordenadora do projeto e do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Univali, professora Bruna Siqueira dos Santos.
A abertura será conduzida pelo professor Alfredo Pena-Vega, da École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, na França.
O encontro também marcará a apresentação da Escola do Clima como estratégia de formação continuada e integração entre ensino, pesquisa e extensão.
Entre os temas em desenvolvimento estão erosão costeira, aterros hidráulicos, uso de tecnologias no monitoramento ambiental e impactos socioeconômicos associados às emergências climáticas.
“A Escola do Clima estrutura uma base para formação docente alinhada à realidade climática atual e contribui para qualificar políticas públicas com base em evidências, fortalecendo a construção coletiva de respostas educacionais para desafios que já impactam o cotidiano escolar”.
Pesquisa, extensão e impacto social
A Escola do Clima nasce a partir de um percurso já em desenvolvimento no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Univali e no Programa Institucional de Educação Ambiental Climática, ambos coordenados pela professora Bruna.
A trajetória inclui uma parceria consolidada com o Global Youth Climate Pact (GYCP), iniciativa internacional ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), e conecta a universidade à Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (Instituto Edgar Morin), em Paris, ampliando o diálogo com redes acadêmicas e científicas internacionais.
Em Santa Catarina, o projeto se desdobra por meio da mobilização “Jovens pelo Clima (Elo SC)”, conectada a uma rede presente em 35 países.
A articulação estruturou, ao longo dos anos, uma rede que reúne professores da Educação Básica, jovens e pesquisadores na identificação e análise de problemas socioambientais, alcançando cerca de 2 mil estudantes do Ensino Médio em municípios catarinenses.
Os projetos partem de diagnósticos territoriais e se desenvolvem conforme a realidade local, com temas que incluem agricultura, resíduos, tecnologias digitais e gestão ambiental.
“Estudantes e docentes mapeiam demandas de suas comunidades, que são analisadas por pesquisadores da universidade. A partir da validação científica, os grupos definem prioridades e desenvolvem projetos com participação de diferentes setores, incluindo empresas, poder público e organizações sociais”, detalha Bruna.
A atuação inclui oficinas em escolas, mobilização de jovens em agendas como a Pré-COP30 e articulação com redes municipais e estaduais.
O projeto também conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), com investimento de R$ 200 mil em equipamentos e formação, além de integrar grupos de pesquisa em áreas como inteligência artificial, inclusão e desenvolvimento tecnológico, ampliando o alcance das ações no estado.
Essa frente de atuação tem como foco o Ensino Médio, etapa identificada como menos contemplada por materiais e formações específicas na área.
No contexto dessa lacuna, o grupo lançou, em 2025, a obra Enfrentar a Emergência Climática, apresentada durante a COP30, reunindo pesquisadores em torno da tradução de dados científicos para o ambiente escolar.
A proposta adota abordagem inter e transdisciplinar articulando diferentes áreas do conhecimento em torno de problemas comuns. A partir desse movimento, professores da Educação Básica passam a integrar grupos de pesquisa, participar da produção científica e ampliar sua atuação para além da sala de aula.