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A lógica que está separando empresas de tecnologia eficientes das que vivem refazendo tudo

Foto: divulgação

Existe uma métrica que poucas empresas de tecnologia acompanham com seriedade: quanto do esforço de hoje é trabalho novo, e quanto é retrabalho do que já foi feito antes. Para as que acompanham, o número costuma ser desconfortável.

O que os dados mostram sobre retrabalho

O mercado de integração de sistemas cresce a 8,2% ao ano globalmente e deve chegar a USD 80 bilhões até 2035. Uma parcela relevante desse crescimento vem de projetos que precisam ser refeitos. Arquiteturas construídas sem padrão, integrações desenvolvidas de forma isolada, componentes que não podem ser reaproveitados com segurança. Cada nova demanda vira um projeto do zero, com o mesmo custo e o mesmo risco.

A EY identificou que 91% das empresas têm dados armazenados em silos. O mesmo fenômeno se aplica ao desenvolvimento: componentes criados de forma isolada, impossíveis de reaproveitar, que precisam ser reconstruídos a cada nova necessidade. É retrabalho institucionalizado.

Por que o reaproveitamento não acontece por padrão

Reaproveitar exige padronização antes de qualquer entrega. É preciso definir como os componentes são construídos, documentados e como evoluem ao longo do tempo. Sem esses padrões, cada entrega vira um projeto isolado. Com eles, cada entrega nova parte de uma base já testada e documentada.

O problema é que padronizar exige investimento antes de qualquer resultado aparecer. Numa rotina de pressão por entrega, esse investimento raramente acontece. O resultado é um portfólio que cresce em quantidade mas não em eficiência, e que vai ficando mais caro de manter a cada ciclo.

Onde está a receita a capturar

Para empresas de software, o reaproveitamento de componentes de integração se traduz diretamente em velocidade de onboarding. Clientes ativados mais rápido geram receita mais rápido. Integrações reaproveitadas custam menos para entregar. O custo marginal de cada nova conexão cai.

No mercado brasileiro, onde 70% das empresas listam crescimento de participação de mercado como prioridade, segundo a EY, a velocidade de resposta a novas demandas é um diferencial competitivo direto. Quem entrega uma nova integração em dias enquanto o concorrente entrega em semanas está capturando oportunidade de receita concreta.

Quem ganha e quem perde

As empresas que constroem com reaproveitamento planejado desde o início criam velocidade crescente. Cada entrega fica mais rápida do que a anterior porque parte de uma base já validada. As que não planejam ficam refazendo o mesmo esforço a cada ciclo, com os mesmos custos e os mesmos riscos.

No mercado de integração, essa diferença aparece no tempo de resposta a novas demandas, no custo de manutenção e na capacidade de adicionar novos parceiros e clientes sem escalar proporcionalmente o time. É vantagem competitiva mensurável. Não é economia. É estratégia de crescimento.

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Fundador e CEO da SysMiddle, especialista em integrações e APIs e criador do Método IPRS.

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