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Antes da IA, o varejo precisa resolver seus dados

Foto: divulgação

O varejo vive um momento de expansão e, ao mesmo tempo, de aumento significativo da complexidade operacional. Em Santa Catarina, esse movimento é evidente: o e-commerce catarinense movimentou R$ 16,8 bilhões em 2025, com crescimento de 20,7% em relação ao ano anterior. No cenário nacional, a CNC projeta avanço de 3,66% para o varejo restrito em 2026.

São números relevantes, que mostram um setor em transformação. Mas também levantam uma pergunta importante: as operações estão preparadas para crescer com a mesma velocidade com que vendem?

Crescer em vendas não significa crescer com eficiência

A digitalização do varejo trouxe uma série de ferramentas importantes para a operação. ERP, plataforma de e-commerce, CRM, meios de pagamento, sistema fiscal, logística, BI, marketplaces e aplicativos passaram a fazer parte do dia a dia de empresas de diferentes portes.

O problema é que, em muitos casos, cada sistema opera de forma isolada. O pedido nasce em um canal, o estoque está em outro, o faturamento depende de uma terceira plataforma, a logística recebe a informação com atraso e o atendimento ao cliente não tem visibilidade completa da jornada.

Quando isso acontece, a empresa até parece digital, mas continua operando com baixa integração. O dado existe, mas não circula. A informação é registrada, mas não chega a tempo. A decisão precisa ser rápida, mas depende de conferência manual, planilhas, retrabalho e validações entre áreas.

Esse gargalo deixou de ser apenas tecnológico. Ele é econômico. Dados desconectados impactam prazo, margem, produtividade, experiência do cliente e capacidade de gestão, e aparecem em problemas como divergência de estoque, atraso no faturamento, falhas no repasse de pedidos e baixa visibilidade operacional. Em uma operação pequena, esses ruídos podem ser absorvidos. Em uma operação em crescimento, eles viram risco.

Por isso, integração de sistemas não pode mais ser tratada como uma pauta restrita ao time de tecnologia. Ela passou a ser uma discussão de gestão, eficiência e competitividade. O varejo que quer escalar precisa garantir que pedido, estoque, cliente, preço, entrega, pagamento e faturamento estejam conectados, não apenas para automatizar tarefas, mas para que a empresa enxergue a operação como um todo e tome decisões melhores.

IA sobre dados desorganizados só acelera o caos

Essa discussão fica ainda mais relevante com o avanço da inteligência artificial. A IA pode apoiar previsões de demanda, personalização de ofertas, análise de comportamento, automação de atendimento e tomada de decisão. Mas existe um ponto que muitas empresas ainda subestimam: inteligência artificial depende da qualidade dos dados que recebe.

Se a base estiver desorganizada, a IA não corrige o problema. Ela amplifica o problema. Se o estoque está errado, se o cadastro está inconsistente, se o histórico do cliente está incompleto ou se os sistemas não estão sincronizados, a tecnologia passa a operar sobre uma visão distorcida da realidade.

A inteligência artificial acelera processos. Mas, se a empresa não tiver dados e fluxos estruturados, ela não acelera eficiência; ela acelera o caos.

Antes de falar em IA aplicada ao varejo, é preciso falar em dado confiável. Antes de falar em automação avançada, é preciso falar em integração. Antes de buscar previsibilidade, é preciso garantir que a informação certa esteja disponível no sistema certo, no momento certo. No fim, integração não é apenas conectar sistemas. É conectar a operação à estratégia.

O varejo de 2026 será mais conectado

A relevância desse tema deve ganhar ainda mais força no fim do mês, durante o Fórum E-Commerce Brasil 2026, entre os dias 28 e 30 de julho, no Distrito Anhembi, em São Paulo. Não é acaso que um evento desse porte coloque integração e dados na agenda central, e não como painel secundário sobre tecnologia. Estarei lá com a SysMiddle, acompanhando de perto essa conversa.

O futuro do varejo não será definido apenas por quem vender mais, abrir mais canais ou adotar mais tecnologias. Será definido por quem conseguir transformar dados em decisão, sistemas em operação integrada e tecnologia em eficiência real.

O varejo de 2026 não será apenas mais digital. Ele precisará ser mais conectado.

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Fundador e CEO da SysMiddle, especialista em integrações e APIs e criador do Método IPRS.

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