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Mercado de low-code chegou a USD 37 bilhões e o problema que ele não resolve está crescendo junto

Foto: divulgação

O mercado global de plataformas low-code foi avaliado em USD 37 bilhões em 2025 e deve alcançar USD 377 bilhões até 2034, crescendo a quase 30% ao ano. É um dos segmentos de tecnologia que mais cresce no mundo. E dentro desse crescimento está escondido um problema que o mercado ainda não parou para calcular direito.

Por que o low-code explodiu

A lógica é simples. Empresas precisam de software rápido. Desenvolvedores são escassos e caros. Ferramentas que permitem criar aplicações sem código especializado reduzem o tempo de entrega em até 90%, segundo dados do setor. Gartner estima que 65 a 70% dos novos aplicativos empresariais serão desenvolvidos com low-code até 2025, contra apenas 25% em 2020.

O crescimento não é hype. É resposta real a uma pressão real. Mas o problema começa a aparecer exatamente quando o sucesso chega.

O limite que o crescimento expõe

À medida que a operação escala, a ferramenta que resolveu o problema ontem cria o problema de amanhã. Regras de negócio mais complexas, volumes maiores, exceções que multiplicam. O estudo do setor aponta que preocupações com escalabilidade em aplicações enterprise são uma das principais restrições ao mercado. Não porque as ferramentas são ruins, mas porque foram adotadas sem arquitetura por trás.

Um dado da EY em estudo sobre operações tributárias e financeiras ilustra bem esse gap: 91% das empresas pesquisadas admitem que seus dados estão armazenados em silos, e para 80% delas a insuficiência de dados prontos para uso é o principal obstáculo para avançar com inteligência artificial. O problema não é a falta de ferramenta. É a falta de estrutura por trás dela.

O que está acontecendo com a IA agora

A história está se repetindo com velocidade maior. O mercado de IA segue o mesmo padrão: adoção acelerada, entusiasmo real, resultados pontuais. Mas segundo o relatório “The GenAI Divide: State of AI in Business 2025”, publicado pelo MIT, 42% das empresas abandonaram a maioria de seus projetos de IA em 2025, um salto em relação aos 17% de 2024. Apenas 48% dos pilotos de IA chegam à produção.

O diagnóstico é o mesmo: a ferramenta foi adotada antes do processo estar pronto para ela. IA sem dados integrados não escala. Low-code sem arquitetura não sustenta. O padrão é idêntico.

Quem ganha e quem perde

As empresas que ganham nesse cenário são as que tratam a escolha da ferramenta como segunda decisão, não como primeira. A primeira decisão é sobre arquitetura: como essa solução precisa crescer, com quem precisa se conectar e o que acontece quando o volume dobrar. Só depois vem a ferramenta.

As que perdem são as que escolhem a ferramenta pela promessa de velocidade e descobrem o limite quando mais precisam de escala. O retrabalho é sempre maior do que teria sido construir com estrutura desde o início. E o mercado de integração cresce, em parte, porque esse retrabalho precisa ser feito por alguém.

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Fundador e CEO da SysMiddle, especialista em integrações e APIs e criador do Método IPRS.

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