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87% das empresas querem crescer em 2026, mas 75% nem bateram a meta de 2025

Os Panoramas RD Station 2026, estudo da RD Station em parceria com a TOTVS publicado em junho deste ano, trazem um número que resume bem o que tenho visto no dia a dia com clientes e parceiros: 87% das empresas brasileiras pretendem crescer mais em 2026, mas 75% não bateram as próprias metas de vendas em 2025. Mais da metade, 54%, ainda opera sem CRM, e 62% não acompanham as taxas de conversão do próprio funil.

Esses números apontam para um problema de base, escondido atrás da vontade legítima de crescer.

O improviso que funciona até deixar de funcionar

Quase todas empresas pequenas crescem no improviso. Isso é natureza do estágio, não uma falha de gestão. O dono acompanha tudo de perto, decide na hora, resolve o problema do jeito que dá. Enquanto o volume é baixo, essa lógica funciona bem e rápido.

O erro aparece posteriormente, quando a demanda muda de patamar e a empresa continua operando da mesma maneira de quando era pequena.

O sintoma aparece primeiro na operação, não no caixa

Eu já vi isso se repetir muitas vezes: uma empresa vende bem, a demanda dispara, e a resposta natural é contratar mais pessoas, comprar mais sistemas e abrir mais frentes. Tudo para “dar conta”.  No entanto, a decisão tomada sob pressão raramente é  estruturada. Ela resolve o sintoma daquele período, mas cria um problema para o futuro.

Um cliente meu viveu exatamente esse ciclo. A empresa dele vinha de um crescimento comercial forte, com mais volume de trabalho. No entanto, cada cliente novo entrava com uma integração diferente, feita na correria e sem padrão. Em poucos meses, o time técnico que deveria estar evoluindo o produto estava totalmente dedicado a “apagar incêndio” de integração.

O caixa ainda parecia saudável, já que as vendas continuavam entrando. Infelizmente, o tempo entre o contrato assinado e o cliente efetivamente ativo foi esticando cada vez mais, sem que ninguém tivesse decidido que isso deveria acontecer.

O erro mais caro se disfarça assim: como lentidão, meses antes de aparecer como prejuízo no resultado.

Crescer em receita exige uma base diferente de crescer em capacidade

Os dados do RD Station ajudam a explicar por que isso é tão comum. Quando 54% das empresas ainda não têm CRM e 62% não medem conversão, a maioria está tentando escalar vendas sem conseguir medir, sequer, o que está funcionando. Um trecho do próprio estudo resume bem esse cenário: ambição sem instrumento vira improviso.

O mesmo pensamento vale para operação, sistemas e processos. Vender mais sem estrutura para sustentar esse volume antecipa o colapso operacional, só que num prazo que ainda parece confortável.

A decisão que separa quem consolida de quem só acumula

A diferença entre empresas que atravessam esse momento bem e empresas que travam nele está no momento em que decidem enfrentá-lo.

Quem espera o sistema quebrar, a planilha virar caos e o cliente reclamar, paga esse erro em dobro. Primeiro na operação, depois na reputação. Quem estrutura antes, ainda que de forma gradual, transforma o mesmo crescimento em algo sustentável.

Esse é o padrão que mais vejo quando entro em contato com empresas nesse momento de virada, à frente da SysMiddle O problema raramente é a falta de demanda, mas a base operacional não ter sido pensada para o tamanho que a empresa já alcançou, ou está prestes a alcançar.

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Fundador e CEO da SysMiddle, especialista em integrações e APIs e criador do Método IPRS.

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