Por Alexandre Frankel, CEO da Housi.
Os novos ciclos de crescimento do Brasil passam por cidades que se tornaram polos de inovação e ajudam a definir as dinâmicas de desenvolvimento urbano do país.
Cada região constrói sua relevância a partir de suas vocações, da força de suas cadeias produtivas e da capacidade de transformar essas características em oportunidades de crescimento.
O Sul ocupa um espaço relevante nessa escalada.
A combinação entre empreendedorismo, industrialização, infraestrutura e ambiente favorável aos negócios ampliou a capacidade da região de criar e acelerar novos modelos econômicos.
A adaptação é outro elemento central desse protagonismo e está diretamente conectada às transformações que vêm redefinindo o mercado imobiliário.
Santa Catarina é um exemplo interessante dessa realidade. Um levantamento do Sebrae aponta que o número de empresas da construção civil cresceu 83,8% nos últimos cinco anos, passando de cerca de 70 mil para mais de 120 mil operações ativas no estado. Isso significa que quase 10% das empresas catarinenses estão ligadas diretamente ao setor.
Essa velocidade de desenvolvimento na construção civil também aparece na forma como a região se adapta às dinâmicas urbanas contemporâneas.
Mobilidade, conveniência, flexibilidade, acesso a serviços e tecnologia passaram a influenciar a forma como as pessoas escolhem circular, morar, trabalhar e consumir nas cidades.
O comportamento urbano se tornou mais dinâmico.
A mudança traduz a forma como cidades são planejadas, empreendimentos são concebidos e investimentos são direcionados.
Os empreendimentos assumem um papel mais estratégico e operam como plataformas urbanas, capazes de integrar experiências mais fluidas, conectadas e alinhadas à dinâmica das cidades.
Ao mesmo tempo, o impacto dessa transformação exige cidades capazes de absorver inovação com velocidade e transformar tecnologia em experiência urbana.
Segundo a Associação Catarinense de Tecnologia, o setor de tecnologia representa aproximadamente 25% do PIB de Florianópolis, consolidando a capital como um dos principais polos de inovação do país. O estado reúne cerca de 30 mil empresas de tecnologia e movimenta mais de R$ 42 bilhões por ano.
Os números ajudam a explicar a capacidade da região de acelerar a digitalização dos serviços e criar ecossistemas digitais cada vez mais aderentes às demandas contemporâneas.
Esse movimento influencia diretamente a forma como as cidades crescem, os empreendimentos são concebidos e como os investidores operam numa lógica estruturada sob a mentalidade dos novos comportamentos urbanos.
Cidades como Balneário Camboriú, Itajaí, Itapema e Penha passaram a combinar turismo, serviços, tecnologia e mercado imobiliário em uma velocidade pouco comum no país.
Balneário Camboriú é um dos exemplos mais emblemáticos.
A predisposição para inovar e uma cultura orientada ao crescimento e à experimentação são características presentes no litoral catarinense e que ajudam a explicar esse cenário.
Não por acaso, Balneário Camboriú se consolidou como referência nacional em valorização imobiliária, atração de investimentos e desenvolvimento urbano.
Na Housi, nossa presença nas cidades de Curitiba, Londrina, Maringá, Porto Alegre, Florianópolis, Blumenau, Chapecó, Bento Gonçalves, Balneário Camboriú, Itajaí, Itapema, Penha e Pomerode é consequência direta dessa leitura de mercado.
São cidades que apresentam aspectos fundamentais para a evolução dos modelos de moradia: densidade econômica, capacidade de atrair talentos, ambiente favorável à inovação e consumidores cada vez mais abertos à conveniência, à flexibilidade e aos serviços integrados.
Quando esses elementos se encontram, novos modelos urbanos passam a fazer parte da infraestrutura das cidades.
O mercado imobiliário sempre foi uma vertical de longo prazo. O comportamento das pessoas, não.
Para garantir o “deal”, nas próximas décadas, as cidades precisarão reduzir a distância entre essas duas realidades.