Existe uma cena que tem se repetido na Copa do Mundo de 2026 e que, curiosamente, diz muito mais sobre gestão do que sobre futebol.
No meio de cada tempo, o jogo para. Os jogadores caminham até a lateral do campo para se hidratar. Enquanto muitos enxergam apenas uma interrupção, os técnicos aproveitam aqueles poucos instantes para fazer o que pode decidir uma partida inteira: comunicar a estratégia.
As pausas para hidratação dividiram opiniões. Alguns afirmam que quebram o ritmo do jogo; outros defendem a medida diante das altas temperaturas. Sob a perspectiva da saúde dos atletas, parece uma decisão difícil de contestar, mas, talvez a maior contribuição dessa novidade esteja fora das quatro linhas.
Em poucos segundos, o técnico reorganiza o time, ajusta posicionamentos, corrige rotas, recupera a confiança dos jogadores e devolve clareza ao plano de jogo. A bola volta a rolar, mas, muitas vezes, a partida já é outra.
Nas empresas, essa lógica é ainda mais evidente.
Os melhores líderes não são apenas aqueles que tomam boas decisões. São aqueles que conseguem fazer com que elas sejam compreendidas, compartilhadas e executadas. É nesse momento que a comunicação deixa de ser apoio e passa a ocupar um papel estratégico.
Ela alinha equipes, fortalece a cultura organizacional, reduz ruídos e conecta pessoas a um propósito comum. Também constrói reputações. É por meio de uma comunicação consistente que empresas conquistam credibilidade, executivos tornam-se referências em seus mercados e histórias relevantes chegam à imprensa, ao LinkedIn e aos espaços onde a confiança é construída.
Comunicar deixou de ser apenas informar. Hoje, é uma competência de liderança e um ativo estratégico para gerar valor, influência e resultados.
Enquanto muitas organizações investem em tecnologia para acelerar processos, ainda subestimam aquilo que sustenta qualquer estratégia: a capacidade de gerar entendimento.
Talvez essa seja a principal lição da Copa para quem lidera pessoas.
Nem sempre a vantagem competitiva está em acelerar. Muitas vezes, ela nasce da coragem de fazer a pausa certa, reunir a equipe e transformar estratégia em direção por meio da comunicação.
Em poucos minutos, os jogadores voltam ao campo. O cronômetro continua correndo. A bola volta a rolar, mas o jogo já não é o mesmo.
Com as empresas acontece exatamente igual. Existem conversas que duram poucos minutos e têm o poder de mudar completamente o rumo de uma organização.
É justamente nesse ponto que a comunicação deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a ser um ativo estratégico para fortalecer lideranças, consolidar reputações e impulsionar negócios.
Eu sou Fernanda Thiesen, CEO da Ties Comunicação, jornalista, assessora de imprensa e especialista em construir reputação e autoridade por meio da comunicação estratégica. Acredito que, quando a mensagem certa encontra o momento certo, ela também é capaz de mudar o jogo.