Existe um problema que o mercado de M&A carrega há anos e que raramente é discutido abertamente. Toda jornada de fusão ou aquisição gera conversas extremamente ricas. São feedbacks de mercado sobre produto, leituras sobre a carteira de clientes, validações de visão e posicionamento e conexões que muitas vezes produzem valor para além da própria transação.
O problema é que, quando o ciclo termina, com ou sem venda, grande parte dessa inteligência permanece dispersa em conversas, documentos e na memória das pessoas envolvidas. Sem uma estrutura de continuidade, o empreendedor segue em frente sem conseguir transformar integralmente o que aprendeu em um ativo para suas próximas decisões.
“Mesmo quando uma captação de investimentos ou M&A não acontece, o empresário sai desse processo muito mais maduro. O problema é que grande parte desse aprendizado perde força depois, porque não existe uma estrutura de continuidade”, diz Érico Freitas, CEO da Outlier Partners.
Foi para enfrentar esse problema que a Outlier iniciou uma parceria com o Thinking Lab para desenvolver um agente cognitivo proprietário capaz de acompanhar a jornada do empreendedor para além de uma transação específica. O agente transforma o método da Outlier, o contexto construído durante o mandato e os aprendizados gerados ao longo do processo em uma capacidade contínua de apoio a decisões estratégicas. Com isso, independentemente do resultado do deal, o founder pode manter acesso à inteligência acumulada na jornada e utilizá-la na preparação da empresa, na maximização de equity e em seus próximos ciclos de decisão.
É aqui que está o diferencial do movimento. Ainda são raras, no mercado brasileiro de M&A, as iniciativas que tratam a inteligência produzida durante o processo como um ativo contínuo do empreendedor. O que normalmente se contrata é a preparação e a condução de uma transação. O que a Outlier e o Thinking Lab estão construindo é uma arquitetura de continuidade: um agente capaz de estruturar e recuperar aprendizados, critérios e decisões da jornada, mantendo essa inteligência disponível para o fundador mesmo depois de encerrado o ciclo tradicional da assessoria.
Esse movimento não substitui o que sempre sustentou o M&A. O mercado foi construído sobre relacionamento, confiança e experiência, e isso continua verdadeiro. Mas, segundo Freitas, quem conseguir integrar método proprietário, inteligência artificial, dados e critérios de decisão terá uma vantagem que não será apenas incremental.
“A diferença não vai ser pequena. Vai ser exponencial. E isso já não é mais tendência para a gente, é obrigação”, afirma.
A iniciativa se conecta a uma transformação tecnológica que a Outlier já vem realizando em outras etapas de sua operação. Atualmente, a empresa utiliza dados proprietários para validar liquidez de forma confidencial antes mesmo do início formal de determinados deals, identificando potenciais interessados com apetite real e capacidade de execução.
Segundo ele, em casos específicos essa abordagem reduziu em mais de 80% o time to market e aumentou a previsibilidade do processo. Há também situações em que clientes avançaram em contratos comerciais ou transações antes mesmo da realização de um roadshow estruturado:
“A tecnologia deixou de ser apenas apoio. Ela passou a organizar o processo inteiro. Isso é geração de valor na veia”, resume.
Antes de desenvolver o agente, foi necessário tornar explícita a lógica que sustenta o método da Outlier. O Thinking Lab trabalhou ao lado dos sócios para mapear os critérios que orientam decisões ao longo de um mandato de M&A, as tensões recorrentes da relação com os founders, as perguntas que qualificam cada análise e os diferentes papéis envolvidos em cada etapa. Esse conhecimento foi transformado em ativos cognitivos e incorporado a uma arquitetura de agente que combina contexto, decisão, raciocínio, método e memória.
Na prática, o agente não foi concebido para reproduzir respostas de um dos sócios nem para substituir o julgamento da equipe ou do empreendedor. Ele atua como um agente de continuidade consultiva capaz de investigar cada situação, identificar informações ausentes, tensionar hipóteses e apoiar a construção de caminhos coerentes com o método da Outlier. Sua atuação permanece delimitada pelo contexto do cliente, pelos critérios metodológicos e pela autoridade humana em cada decisão.
A proposta é manter acessíveis, ao longo da jornada e após o encerramento formal da assessoria, os aprendizados, critérios, decisões, compromissos e mudanças de entendimento construídos durante o processo. Dessa forma, o método da Outlier não permanece restrito às reuniões ou aos documentos produzidos no mandato: ele continua disponível para apoiar o founder na preparação da empresa, na maximização de equity e na orientação de seus próximos movimentos estratégicos, com ou sem a concretização da transação.
“Não se trata de criar um chatbot que repita respostas dos sócios. Estamos transformando o método e a inteligência acumulada pela Outlier em uma capacidade consultiva contínua, que pode ser acessada, tensionada e desenvolvida ao longo do tempo. O agente preserva contexto, amplia o raciocínio e mantém o método presente entre os ciclos, mas a experiência, a relação e a decisão permanecem humanas”, explica Gabriel Oliveira, fundador do Thinking Lab.
Esse movimento também amplia a régua com que o próprio mercado mede sucesso em M&A. Durante muito tempo, um processo foi considerado bem-sucedido principalmente quando terminava em venda. Com um agente capaz de estruturar aprendizados, critérios e decisões ao longo da jornada, mesmo o processo que não termina em deal pode deixar o empreendedor mais preparado, mais lúcido e com a possibilidade de manter uma relação de continuidade estratégica com a Outlier, que vem se posicionando como uma das melhores boutique de M&A do Brasil.
“A gente sempre disse que o empresário deixa de se vender e passa a ser comprado. Agora dá para ir além. A inteligência que antes se dispersava no fim do processo passa a ficar estruturada e disponível para o fundador, e pode continuar trabalhando a favor das próximas decisões dele”, resume Érico.