A expansão da infraestrutura elétrica e o avanço do mercado livre de energia seguem impulsionando os resultados das grandes geradoras brasileiras.
Com novos investimentos em transmissão, crescimento da base de consumidores livres e ampliação do portfólio de ativos, empresas do setor reforçam sua estratégia para acompanhar a transformação do mercado energético nacional.
É nesse cenário que a ENGIE Brasil Energia encerrou o segundo trimestre com receita operacional líquida de R$ 3,5 bilhões, alta de 13,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O lucro líquido ajustado atingiu R$ 694 milhões, crescimento de 23%, refletindo a evolução das operações de geração, comercialização e transmissão de energia.
O lucro líquido contábil somou R$ 1,9 bilhão, avanço de 246%, influenciado pelo reconhecimento de um efeito não recorrente relacionado à adesão ao mecanismo legal de repactuação do Uso de Bem Público (UBP), que adicionou R$ 1,26 bilhão ao resultado.
Mercado livre e transmissão impulsionam crescimento
O desempenho da companhia foi sustentado pelo avanço das operações no mercado livre de energia e pela expansão dos projetos de transmissão.
O Ebitda ajustado alcançou R$ 2,2 bilhões, crescimento de 16,8%, enquanto as receitas foram impulsionadas pelas vendas nos mercados livre e regulado e pela entrada de novos ativos de transmissão.
Segundo Pierre Leblanc, diretor financeiro e de relações com investidores da empresa, os resultados refletem a estratégia adotada pela companhia:
“O crescimento da receita e do lucro líquido ajustado reforça a consistência da nossa estratégia e a solidez financeira da companhia. Seguimos atentos à evolução do mercado e comprometidos em gerar resultados sustentáveis.”
Companhia acelera expansão da transmissão
Durante o trimestre, a empresa investiu R$ 329 milhões, dos quais R$ 261 milhões foram destinados à implantação de novos empreendimentos.
Os principais aportes ocorreram nos projetos de transmissão Asa Branca e Graúna, que receberam investimentos de R$ 111 milhões e R$ 104 milhões, respectivamente.
Além disso, a companhia assinou os contratos de concessão dos Lotes 2 e 3 da Colibri Transmissora de Energia, conquistados no primeiro Leilão de Transmissão de 2026.
Os novos projetos ampliam a atuação da empresa em Santa Catarina, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte, reforçando a estratégia de diversificação dos ativos de infraestrutura elétrica.
Mercado livre segue em expansão
Outro destaque do trimestre foi o crescimento da atuação no mercado livre de energia. A base de consumidores livres aumentou 42,3% em comparação ao segundo trimestre do ano passado.
No mesmo período, a receita proveniente desse segmento cresceu 12,7%, passando de R$ 994 milhões para R$ 1,12 bilhão.
Considerando consumidores livres, comercializadoras e distribuidoras — excluindo operações de trading — o volume comercializado atingiu 10.597 GWh, alta anual de 14,1%.
Segundo o CEO da companhia, Eduardo Sattamini, os resultados refletem a combinação entre expansão operacional e investimentos em infraestrutura:
“Os resultados demonstram a solidez da nossa estratégia. O avanço no mercado livre e a expansão em transmissão reforçam nossa capacidade de gerar valor sustentável e apoiar a transição energética brasileira.”
Follow-on fortalece portfólio
Após o encerramento do trimestre, a empresa também concluiu uma das maiores operações societárias de sua história.
A companhia finalizou um follow-on de R$ 8,36 bilhões, operação que viabilizou a incorporação da participação de 40% na Jirau Energia ao portfólio.
Do total movimentado, R$ 2,62 bilhões foram captados no mercado, enquanto R$ 5,74 bilhões correspondem à contribuição da participação societária na hidrelétrica.
A operação reforça a estratégia da empresa de ampliar sua presença em ativos de geração e transmissão, consolidando sua posição entre as maiores companhias privadas de energia do país.